Quinta-feira, 1 de Junho de 2017

Dinheiro, conhecimento, bondade igual a felicidade

Quanto tens, quanto vales”, dizia minha mãe ao ver o meu total desprendimento pelo metal sonante.

A minha obsessão estava fixada no conhecimento. Saber o quê e o porquê das coisas, o porquê das diferenças sociais.

O choro, a tristeza, a alegria e o riso faziam-me pensar.

Incomodado com o que via à minha volta fui Europa dentro à procura da felicidade. Não encontrei. O choque foi tremendo. Em 1959 em Paris havia mais clochards, pobres que vasculhavam, de noite, os caixotes do lixo, do que todos os pobres na Província da Beira Baixa.

Resolvi testar todas as situações difíceis. Ia até ao limite da insuficiência e só quando os últimos cêntimos davam para comprar um pão tinha de arranjar sustento. Acabava sempre por resolver a situação.

O estudo, o conhecimento abriam as portas do trabalho remunerado e em breve voltava àquilo que deve ser o normal para o viver do ser humano: o desafogo, o bem-estar.

Mas sendo alegre perante os meus amigos, a minha tristeza era enorme. Só eu a sentia, ninguém mais a via porque era sempre natural naquilo que fazia ou dizia. Não era feliz.

O casamento, os filhos trouxeram-me um banho de esperança.

Durante alguns anos pensei que o mundo poderia resolver todos os problemas sociais e que as dificuldades e as guerras que eu tinha assistido à distância depois da Depressão nos Estados Unidos, a Guerra Civil Espanhola, 1936-1939; a Segunda Guerra Mundial, 1939-1945, com a paz que se lhes seguiu, tudo seria diferente. Engano, embora Portugal tivesse dado um salto enorme entre 1950 e 1974, o crescimento era de 6,5 ao ano e a felicidade saltava aos olhos.

Veio o desastrado 25 de Abril, que quase toda a gente aceitou. Era voz corrente que Marcello Caetano tinha facilitado o acontecimento.

A situação do País degradou-se até um ponto inimaginável.

Saí, contrariado, da Escola onde dava aulas de Português, Francês e Jornalismo para Deputado na Assembleia da República em 1976. Nunca me senti tão infeliz. O meu grupo Parlamentar não compreendeu que a minha irreverência era feita de raiva por não conseguir salvar o povo, que me tinha dado o voto, da miséria e dos enganos a que estava sujeito.

A vítima acabou por ser o Professor Freitas do Amaral, que por causa de uma disputa sobre o Primeiro-Ministro, Nobre da Costa, que ele queria e conseguiu derrubar e eu defendia o contrário, me fez um processo Disciplinar que perdeu. Fui rude, desagradável. Perdi todo o respeito pelas grandes figuras que não defendem o povo. Fiquei com pena dele. Perante a sua reação preferia ter perdido o combate. Durante meses não apareceu no Parlamento.

Cheguei à conclusão que dinheiro, conhecimento e bondade, a favor daqueles que não se sabem defender, é 95 por cento do caminho para a felicidade.

 

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C.S

publicado por regalias às 08:49
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