Segunda-feira, 21 de Maio de 2012

A pesada herança evitou a guerra civil

No livro "Marcello Caetano, Confidências no Exílio" de Joaquim Veríssimo Serrão, editorial Verbo, o ex-governante recorda: "O estado em que eu deixei o País em 25 de Abril de 1974 foi o da integridade territorial, governantes respeitados, administração eficiente e honesta, economia em desenvolvimento, grandes reformas como a da Previdência Social e da Educação, em curso, finanças sãs com orçamento equilibrado, contas em dia, tesouraria abastecida, dívida pública mínima, reservas cambiais e de ouro de primeira ordem".

Marcelo tinha sabido continuar a obra de Salazar. Apesar da Guerra Colonial, em nada comparada com os gravíssimos problemas que os ingleses tiveram na Índia ou os franceses na Argélia, só para citar dois países colonizadores, Portugal continuava com 847 toneladas de ouro e mais de 100 milhões de contos em cofre, além de todas as contas em dia, como foi dito atrás.

A pesada herança, em vez de ter sido orientada com parcimónia e ponderação serviu de almofada para conquistar votos num País que recebeu de braços abertos o Golpe feito sem derramamento de sangue, o que seria muito estranho que não acontecesse, caso o País vivesse numa Ditadura e a PIDE não fosse uma Polícia de Segurança de Estado como há em todos os países e hoje existe em Portugal com outro nome.

Mas os jornais, as rádios, os cantores e os artistas, jovens e oportunistas, resolveram alinhar com os comunistas e debitar alarvidades, mentiras e toda a casta de idiotices que lhes vinham à cabeça.

Claro que Portugal não era nem podia ser o país que é hoje porque isso não existia. As grandes descobertas desenvolvimentistas dão-se a partir dos anos 70. Até 25 de Abril de 1974 Portugal cresceu a um ritmo de 6,1 por cento ao ano. A Primeira República tinha-o deixado exaurido, os militares que implantaram a Ditadura em 28 de Maio de 1926 não conseguem, tal como os Governantes de hoje, resolver os graves problemas que o país está a sofrer. Dois anos depois, desse movimento, chamam Salazar que num ano pôs contas em dia e até 1974 nunca mais houve défice orçamental.

Disse isto de maneira simples e concisa para que todos me entendam.

O que aconteceu então à pesada herança? Não foi só a corrupção, os gastos supérfluos, as viagens extravagantes que a comeram. Vasco Gonçalves resolveu meter as mãos no tesouro e distribuí-lo sem conta nem medida. Foram aumentados alguns salários de maneira exagerada. O homem julgou assim cativar o povo e os comunistas beneficiarem com os seus votos. Isto teve duas vantagens e uma desvantagem. Parte do povo teve mais poder de compra. Na euforia apoiou uma esquerda feita à pressa com amadores de ciência curta, o restante povo ficou expectante. Não reagiu à desgraça previsível. A desvantagem foi que grande parte da herança se foi. O mesmo Vasco, passados alguns meses já dizia que eram precisos sacrifícios.

Quando o louco, como era conhecido, deixou o Governo porque o próprio camarada Cunhal lhe tirou o tapete, Portugal entrava em derrapagem permanente. Em finais de Novembro de 1975, quando Jaime Neves e Ramalho metem na ordem os seus camaradas de armas, Portugal já está a viver sujeito a imposições do FMI.

A pesada herança evitou a Guerra Civil, mas não evita a fome e o desespero porque foi insensatamente desbaratada.

C.S

publicado por regalias às 06:12
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