Domingo, 14 de Outubro de 2012

Pinto Monteiro e o descrédito do jornalismo

Ao lermos a distorção feita às palavras de Pinto Monteiro, na entrevista concedida ao "Expresso", podemos, a partir dela, verificar porque o jornalismo português atingiu tal descrédito que sobreviver vai ser quase tão difícil como sair do buraco em que o Governo se encontra.

Todos os meios de Comunicação Social aproveitaram a frase bombástica, mas sem qualquer assomo de verdade. "Pinto Monteiro não aprova a nova PGR", isto é a mistificação total desta sua resposta: "Sempre defendi que o Procurador-Geral devia ser independente do Sindicato. Não me vou desdizer agora."

Ao afirmar isto com toda a naturalidade e frontalidade, própria da gente das Beiras, Pinto Monteiro não diz, nem de perto nem de longe, que não aprova a nova Procuradora-Geral, a quem no corpo da notícia tece elogios. Uma coisa é Pinto Monteiro dizer que o Procurador-Geral devia ser independente, outra é dizer que não aprova a nova PGR, Joana Marques Vidal.

Aquilo que aconteceu com a entrevista a Pinto Monteiro é o mesmo que sucede a milhares de entrevistas feitas ao longo dos últimos anos, em que os jornalistas se arrogam o desplante e a insensatez de tirar ilações de respostas dadas pelos entrevistados e que distorcem totalmente a verdade para melhor chamar a atenção dos leitores, mas que desta maneira envenenam, às vezes de maneira irreversível as relações entre pessoas que têm de estar concentradas no seu trabalho e não necessitam destas tricas que lhes farão perder tempo.

Resultado: a credibilidade jornalística vai às malvas e, gente, que poderia enriquecer os jornais com a sua experiência e conhecimento, evita os jornalistas como o Diabo evita a cruz.

Algumas cachas jornalísticas são verdadeiras bombas ao retardador e os Diretores dos jornais em vez de pôr contenção no exagero e mandar calar a caixa do jornalista, devido ao conceito Democracia-demagogia, em total liberdade imbecilizante, leva a jornais de referência como o "Público" a abanar, como se uma simples brisa produzisse os mesmos efeitos que um terramoto de grau 7.

O "Público" faz bem em acabar com o suplemento "Inimigo Público". Nunca compreendi como um jornal sério pretendia fazer graça, misturando a mentira com a verdade e julgasse fazer da sátira a sua alavanca para angariar mais leitores. Julgo que o resultado era o inverso. Eu e vários amigos, leitores do "Público", depois de lidos os primeiros três ou quatro números, a partir daí o "Inimigo Público" ia para o lixo sem mesmo lhe passar os olhos pelas páginas.

São estas cachas e suplementos inúteis e escusados que ajudam à queda de jornais com bons colaboradores, maus jornalistas por impreparação e fraca cultura e Diretores que se demitem das suas funções porque, democraticamente, é proibido proibir o erro e a asneira.

C.S

publicado por regalias às 06:01
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