Sexta-feira, 27 de Setembro de 2013

O português gosta de sofrer, é masoquista

Curioso, até consigo próprio, o português gosta de testar a sua força, a sua capacidade de sofrimento e vai ao limite, às últimas consequências.

A demonstração mais próxima desta afirmação está nos dezasseis anos em que durou a sangrenta, louca e violentíssima Primeira República (1910-1926).

Correndo atrás do bacalhau a pataco e das promessas inconscientes dos chefes republicanos, o povo exigiu que eles cumprissem o prometido.

O resultado foram cargas tremendas de pancadaria contra o povo e prisões a abarrotar de contestatários que quanto mais apanhavam, mais reclamavam.

Os democratas republicanos viram na guerra de 1914 a maneira de se livrarem de muitos dos reclamantes e, em 1916, enviaram-nos para a frente de batalha sem que para tal Portugal tivesse sido chamado a participar.

O Governo insistiu, implorou, deu a desculpa que era para proteger os territórios ultramarinos e acabou por enviar o Corpo Expedicionário Português, CEP, que devido à má preparação dos combatentes e às baixas diárias em combate, passou a ser conhecido por Carneiros enviados por Portugal para abate. Só na Batalha de La Lys em 9 de Abril de 1918 morreram cerca de 8000 homens, quase tantos como durante os 13 anos da Guerra Colonial, (1961-1974).

Mas os portugueses continuaram fazendo todas as tropelias imagináveis porque os políticos lhes tinham mentido.

Nem a prisão, a guerra, ou as sevícias os conseguiu acalmar. Fizeram pior, assassinaram o único herói do 5 de Outubro de 1910, Machado dos Santos. Com ele despedaçaram o Primeiro-ministro, António Granjo, políticos e juízes.

Quando Portugal bateu bem no fundo, e políticos, intelectuais, capitalistas e povo, em desespero, sentiram que ninguém escaparia à loucura e à decapitação imploraram aos militares para porem termo à insanidade que não pouparia ninguém.

Portugal não passava de um conjunto de maltrapilhos, caminhos esventrados e intransitáveis no inverno e um verdadeiro coio de salteadores.

O General Gomes da Costa, a pedido, mas bastante renitente, sai de Braga em direção a Lisboa, mas sempre declarando: olhem que eu vou fazer a revolução. Quando viu que ninguém se opunha, entrou na capital, recebeu o Governo de Bernardino Machado e de Mendes Cabeçadas e assim principiou a Ditadura Militar, para a qual Salazar não foi visto nem achado, como alguns funâmbulos da mentira têm tentado insinuar.

Mas os sofrimentos e as dificuldades eram tantas e a bancarrota mais gravosa e insolúvel do que a dos dias de hoje que, passados dois anos da revolução do 28 de Maio de 1926, Salazar foi chamado para ministro das finanças.

O País só parou a descida aos Infernos a partir da Constituição de 1933.

Até 1974, Portugal, com a designação de Estado Novo, e com Salazar como chefe do Governo, nunca mais parou de crescer.

Será que depois dos libertadores da mentira já terem enchido os bolsos, e o povo estar no mais fundo da sua degradação, conseguiremos levantar a cabeça?

Julgo que sim. 

A garotada que nos governa e a oposição que vomita alarvidades, que mente, com todos os dentes que tem na boca, e promete o impossível, vive no luxo e não corta nas mordomias.

A oposição fingindo-se defensora dos pobres tem os dias contados. O povo deixou de acreditar nuns e noutros.

Os portugueses podem esperar mais uns meses, mas dificilmente esperarão mais dois anos. De masoquistas podem transfigurar-se em sádicos. 

Os políticos do Governo e da Oposição podem gerar novos mártires, como consequência da estupidez e do engano continuado do povo, tal como aconteceu em 19 de Outubro de 1921.

C.S

publicado por regalias às 05:47
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