Quarta-feira, 18 de Dezembro de 2013

Portugal das promessas, regicídio e greves

A Primeira República (1910-1926) nasce sem saber ler nem escrever. É mais fruto de crimes hediondos e do desinteresse do rei e dos monárquicos que baixaram os braços do que força revolucionária que desejava mudar o regime para bem do povo, o que raramente aconteceu.

Dos valentes republicanos, só um, Machado Santos que era Comissário Naval de 2ª classe, à frente de 500 soldados mal armados e 500 desarmados se juntam na Rotunda, hoje Marquês de Pombal, e desafiam as forças monárquicas que, estranhamente lhes lançam alguns petardos e os deixam em paz.

Como no dia 5 de outubro se lhes juntou alguma multidão, dirigiram-se para a Câmara municipal, onde da varanda é proclamada a República por José Relvas.

Depressa chegaram os políticos, Afonso Costa, António José de Almeida, Bernardino Machado, Brito Camacho, Correia Barreto, José Relvas que nesse mesmo dia formariam um Governo Provisório presidido por Teófilo de Braga.

De todos os ministros, o mais inteligente, mais poderoso e o mais sinistro era Afonso Costa que chamou a si as pastas da Justiça e dos Cultos.

Mal tomou conta do Ministério da Justiça, no primeiro dia de trabalho, pede o processo do Regicídio, que eram quatro grossos volumes, com a descrição do assassinato do rei D. Carlos e do príncipe D. Luís e fá-los desaparecer. Manda publicar a seguir uma Lei de amnistia geral para os crimes contra a segurança do Estado de modo a ilibar os regicidas e os bombistas.

Quanto à Igreja procede com sanha persecutória, faz também publicar uma Lei de amnistia geral para todos os crimes contra a Religião.

O principal obreiro e mentor da Primeira República, embora muito inteligente, foi talvez o maior culpado do seu insucesso ao esconder os crimes que os obreiros do novo regime tinham cometido tanto contra a família real como contra as crenças e a fé do povo. A estas infâmias não fugiu à corrupção e ao nepotismo colocando familiares e amigos nos melhores lugares do Governo ou dele dependentes. Aumentou a sua fortuna muitas vezes enquanto o povo viveu as piores agruras da miséria.

A inteligência de Afonso Costa fez que ele andasse quase sempre na crista da onda e muitos ainda lhe tentem esconder e desculpar os erros para tapar os próprios. Mas o povo tem pago e pago a um preço elevadíssimo as espertezas das figuras de grandes figurões que pagam à Imprensa estrangeira o elogio que não merecem.

A Primeira República foi um falhanço, quase total, desde a primeira hora até ao último minuto.

E muitos dos políticos seriam bem-intencionados, mas como diz o povo: de bem-intencionados está o Inferno cheio.

Quais teriam sido as principais causas do fiasco?

As promessas, o amnistiar os crimes cometidos e as greves que os sindicatos incitavam, muitas vezes, e que davam origem a grandes confusões e a grandes tumultos.

Para sossegar o povo, os políticos passaram a prometer tudo. Desde a diminuição dos preços dos produtos de que ficou como símbolo “o bacalhau a pataco”, ao trabalho para toda a gente, eleições honestas, a segurança.

Tudo quanto prometeram falharam. As eleições foram sempre tudo menos honestas. O sufrágio universal foi esquecido. Os analfabetos não tinham direito a voto e as mulheres, tivessem estudos ou não, também ficavam proibidas de votar.

Segurança não havia. Milhares de pessoas emigraram, principalmente, para o Brasil.

O povo aumentou as reivindicações, os atentados, os assaltos às lojas de mantimentos, a violência nas ruas acaba por encher as prisões e a fome. O caos estava instalado e ninguém parecia saber como lhe pôr cobro.

As greves dos ferroviários, das companhias de Gás e Eletricidade de Lisboa e do Porto foram o mote para o começo da destruição da Primeira República.

C.S

publicado por regalias às 06:24
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