Quinta-feira, 19 de Dezembro de 2013

Portugal e os Sindicatos que só tinham direitos

Os políticos da Primeira República (1910-1926), na ansiedade de conquistar o povo que os olhava de viés, prometeram tudo o que lhes vinha à cabeça.

Entretanto prepararam as leis mais urgentes que a Constituição adotou.

A Constituição declarou que a forma de Governo de Portugal era a da República Democrática. Que a monarquia ficava para sempre abolida. O direito à greve ficava consagrado. Era decretado a separação da Igreja do Estado etc.

Afonso Costa, ministro da Justiça e dos Cultos, aproveitou o seu poder e ódio à religião para acabar com ela. Mandou prender padres, desterrar Bispos, fechar conventos, proibiu as vestes talares. São presos 128 padres e 233 freiras. São ainda assassinados 2 padres lazaristas.

Afonso Costa esqueceu-se que eram os padres que acalmavam os mais violentos aconselhando-os a ter paciência. Sem os padres a travar a violência que a miséria produz e os Sindicatos a pegaram-lhes nas palavras e obrigarem o Governo a cumprir o que tinham prometido. Quando não cumpriam, os atentados e as greves começaram a ser o pão nosso de cada dia.

Entre 1910 e finais de 1911 registaram-se 237 greves.

O Governo avisou os grevistas que eles tinham direitos mas também tinham deveres. Estava em causa a situação gravíssima para que o país começava a descambar.

Os Sindicatos não fizeram caso do aviso. A prepotência governamental não se fez esperar por mais que eles se tentassem defender invocando a democracia.

As prisões são às centenas. As cadeias abarrotam de recalcitrantes que aí vivem em condições deploráveis.

O Governo faz sair um decreto para disciplinar o conteúdo das regras a seguir e pôr um travão às greves. Os Sindicatos chamam-lhe “Decreto-Burla”. As greves continuam.

O Governo recorre a Batalhões de voluntários, à Polícia, ao Exército e à Guarda.

Cria-se um clima de terror sem grandes resultados. As pessoas sentem-se enganadas. Vão à luta, matam e morrem.

O Governo aproveita os Batalhões de Voluntários da República e a Carbonária para formar comissões de vigilância para defender a República, parar as greves e obrigar os trabalhadores a trabalhar.

Os preços começam a subir vertiginosamente, o desemprego alcança proporções nunca atingidas. A escassez de alimentos é dramática. A insegurança é total.

António José de Almeida reconheceu que “é mais fácil revoltar o povo que acalmá-lo”. Moderou os discursos com que humilhou a Monarquia. Mas não conseguiu apagar os escritos e fazer esquecer as suas palavras incendiárias que lhe iam causando a morte quando foi sovado e acusado de ser um dos causadores da desgraça em que o povo se encontrava.

Só os Sindicatos não desistiam. Eles reivindicam direitos. O Governo insiste que também têm deveres. Como não querem entender essa parte dos contratos, o Governo dá ordem para que as Forças Militares e da Carbonária assaltem a União dos Sindicatos. Destroem o que encontram. A Casa Sindical é encerrada e os sindicalistas são presos e vão para bordo da fragata D. Fernando e do barco Pêro de Alenquer.

Nas cadeias normais já não cabia mais ninguém.

C.S

publicado por regalias às 06:48
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