Segunda-feira, 17 de Fevereiro de 2014

Guerra colonial e revistas do Parque Mayer

Em Janeiro de 1961 Henrique Galvão toma de assalto o Paquete Santa Maria.

Em Fevereiro, em Luanda, grupos de independentistas atacam o quartel da PSP, a Emissora Nacional e a Casa de Reclusão.

A 15 de Março, no norte de Angola, a União dos Povos de Angola (UPA) faz vários ataques, os quais desencadeiam a Guerra Colonial.

Em Abril, o Ministro da Defesa, General Botelho Moniz, tenta um Golpe de Estado. Acaba por ser demitido.

Salazar faz de imediato uma remodelação ministerial. Toma ele próprio a pasta da Defesa, o Brigadeiro Mário Silva a do Exército e o Dr. Adriano Moreira, a do Ultramar.

Em Maio, há manifestações nos quartéis contra a Guerra Colonial.

Em Outubro, partidários de Henrique Galvão assaltam um avião da TAP e lançam panfletos sobre Lisboa.

Na Venezuela forma-se o Movimento Democrático de Portugal e suas colónias.

Em S. Paulo, Tito de Morais, Augusto Aragão e Manuel Sertório fundam a União Democrática Portuguesa (UDP).

Salazar chamava-lhes os fugitivos ao trabalho e à ordem, em demanda de uma boa vida, com cama, mesa e roupa lavada, paga pelos países de acolhimento. O que o preocupa são os territórios Ultramarinos.

Em Novembro é criada a zona de comércio livre entre a Metrópole e os territórios Ultramarinos.

A ONU condena a política colonial Portuguesa.

Salazar insiste que os povos não estavam preparados para a independência, o que a acontecer seria o caos e os assassínios em massa.

A finalizar o ano, a Índia ocupa, pela força, os territórios de Goa, Damão e Diu e a PIDE consegue prender vários militantes comunistas, mais uma vez denunciados por um camarada. É morto, acidentalmente, o escultor Dias Coelho, o agente é julgado pelo crime.

A única coisa boa daquele desgraçado ano é que o Benfica se sagra campeão Europeu de Futebol ao bater o Barcelona por três a dois.

1962 não começa melhor. Logo em Janeiro dá-se o assalto frustrado ao quartel do Regimento de Infantaria 3 em Beja. É morto o Subsecretário de Estado do Exército, Tenente-coronel Jaime Filipe da Fonseca.

Há várias manifestações contra a Guerra Colonial.

As revistas do Parque Mayer continuavam sempre de casas cheias, sinal que o povo tinha ganho poder de compra. Sentia-se que as pessoas viviam bem e o desemprego era residual.

Em Maio, os trabalhadores do sul reivindicam 8 horas de trabalho por dia. O Governo concorda, apesar do descontentamento dos patrões.

C.S

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Domingo, 16 de Fevereiro de 2014

O receio de uma nova guerra e os mentecaptos portugueses

O receio de uma nova guerra, desta vez com a URSS, continuava no espírito dos Estado Unidos da América (EUA).

Mais uma vez alguns elementos da Polícia Internacional de Defesa do Estado (PIDE) são chamados aos Estados Unidos para ali receberem formação da CIA (Central Intelligence Agency), criada em 1947 pelo Presidente Truman para travar o comunismo, logo no início da chamada Guerra Fria.

Em Fevereiro de 1958, o PC divulga um manifesto contra a candidatura a Presidente da República do General Humberto Delgado, a quem apelida de General Coca-Cola. O PC tinha muito mais medo de Humberto Delgado do que de Salazar e fez tudo para que ele não chegasse ao poder.

O pacato Almirante Américo Thomaz, que tinha sido um excecional Ministro da Marinha, foi o escolhido para candidato do Governo. O Despacho 100, de sua autoria, veio reorganizar toda a Marinha Mercante, a construção imediata de 56 navios e o impulso para mais 14.

O Almirante Américo Thomaz foi um Homem de capacidades invulgares, cuja modéstia e linguagem simples não ofendia o povo, porque era a maneira de se fazer compreender. Os pais tinham sido empregados (criados) da família Rodrigues de Matos, de Abrantes e do Sardoal. Ele conhecia as dificuldades da vida e só os mentecaptos ridicularizam as suas capacidades linguísticas porque não entendem o respeito que ele tinha pelo Povo.

Américo Thomaz ganha as eleições. Salazar faz uma remodelação governamental. Costa Gomes (Presidente da República depois do 25 de Abril) é nomeado Subsecretário do Exército.

Em Dezembro de 1958, 45 cristãos denunciam os métodos repressivos da PIDE, que depois dos seus agentes terem estagiado na CIA tinham aperfeiçoado os métodos para convencer os presos reincidentes a dizer tudo quanto sabiam.

Em Janeiro de 1959, o Capitão Henrique Galvão, evade-se do Hospital de Santa Maria.

Em Março dá-se o “Movimento Militar Independente” conhecido como a “Revolta da SÉ”. São presos 30 civis e alguns militares: o Capitão reformado Carlos Vilhena e o Oficial da Marinha Mercante Manuel Serra.

Em Abril há uma greve de pescadores. Em Maio fracassa mais um golpe de Estado. Mas o Governo continua a senda do progresso e o povo apoia a política que lhe dá segurança.

O Segundo Plano de Fomento tem os seus principais investimentos na siderurgia, adubos azotados, papel e refinação de petróleo.

Tudo era feito com metas bem definidas e um plano estratégico delineado desde há muito.

Com a campanha de alfabetização, agora dirigida às mulheres há um aumento de mais cinco mil salas de aulas e mais mil professores.

A parte social começa a ser privilegiada em força.

Em Almada é inaugurado o Monumento ao Cristo Rei. Salazar não se mostra particularmente excitado.

Depois de Já ter aderido à EFTA, associa-se ao Banco Internacional de Reconstrução e Desenvolvimento (BIRD) e ao Fundo Monetário Internacional (FMI). Seguem depois os acordos de Bretton Woods de modo a regular as relações monetárias entre Estados Independentes.

Portugal estava entre os países ricos e prósperos. Tudo parecia encaminhar-se para longos anos de trabalho, calma e progresso.

C.S

publicado por regalias às 09:48
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Sábado, 15 de Fevereiro de 2014

Em vez de neurónios, areia na cabeça dos Governantes

Ao ouvir na Antena 1 que a praia do CDS, na Costa da Caparica, mais uma vez foi invadida pelo mar causando graves prejuízos nos bares, restaurantes e parque de estacionamento, recordo que há mais de trinta e cinco anos Portugal foi avisado que a subida das águas iria comer grande parte das praias portuguesas caso não fossem tomadas medidas preventivas.

Alguém se preocupou em fazer um trabalho válido e já testado em outros países? Não.

Portugal não passou dos remendos e de trabalhos de “especialistas” que tentam inventar o que já está inventado.

O mais grave é que há gente que, aparentemente é inteligente e em lugares de responsabilidade, mas alinha na irresponsabilidade só para bajular a ignorância e manter o país na estagnação.

Nos princípios de 1979 fiz parte, como Deputado, da Comissão eventual de solidariedade para com as vítimas das últimas cheias, constatei onde estava o problema e declarei-o naturalmente dizendo como se pode verificar do “Diário da Assembleia da República, nº 53 de 1979”:

“O Ribatejo é agricolamente uma vítima da incompetência dos nossos técnicos…etc.”

Logo o Deputado Vital Moreira diz: - Não apoiado.

Ao que respondi: - “Embora o Sr. Deputado Vital Moreira não apoie…eles disseram-me o que acabei de referir. Há um técnico holandês a orientar o serviço, que vai sair no fim deste mês e eles não sabem como hão de continuar os trabalhos…” Etc.

Estas reflexões e comentários vêm a propósito do que acontece não só na Costa da Caparica, mas também por todo o país e por uma nota a um dos meus últimos Blogues, onde o comentador diz: ”é preciso que alguma coisa mude para que tudo fique na mesma”.

Infelizmente é isso que acontece desde que o regime mudou em 1974. Tanto a Direita com a Esquerda incharam de videirinhos que não querendo desagradar a ninguém, desagradam a todos ou por ignorância, ou por estupidez ou por malvadez e um país que tem todas as condições para ser um dos mais prósperos da Europa continua na cauda dos mais miseráveis.

Aquilo que está acontecer com o mar tem a resposta na Holanda. Um país onde o mar é um turbilhão está dominado há dezenas de anos porque os seus técnicos são altamente especializados.

A Holanda em vez de ser comida pelo mar, é ela que o come e lhe conquista terreno.

Por que não aproveitamos o saber dos técnicos holandeses, muitos deles descendentes dos judeus portugueses que para ali se mudaram, mas que ainda hoje lembram a Pátria amada onde a fortuna lhes sorriu e eles concretizaram? Não aproveitamos porque os políticos são gente menor, com caca de galinha na cabeça, como dizem os brasileiros, e como desde 1974 se habituaram a viver do engano e do encosto partidário quando o assunto interessa aos políticos da Esquerda e da Direita, o país e o povo ficam para o abate.

Em vez de neurónios, os Governantes e os políticos Portugueses têm areia movediça e suja na cabeça que os faz engordar à esquerda e à direita.

Façam-se auditorias a uns e a outros e veremos se assim o Povo compreende que enquanto não estudar continuará sempre a ser o pião das nicas e Portugal um país condenado a desaparecer.

C.S

publicado por regalias às 11:12
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Da Campanha Nacional de Educação de Adultos à TV

Em 18 de Abril de 1951 morre o Presidente da República, General Óscar Carmona. É eleito o General Craveiro Lopes.

Em Março de 1952, a Espanha considera que Portugal não deve subscrever o Pacto Atlântico porque contraria o Pacto Peninsular. Alguns oposicionistas secundam esta posição.

Salazar pondera o assunto. No fundo continua a desconfiar de Espanha e por isso torna ainda mais firme a adesão de Portugal ao Tratado do Atlântico Norte onde a Espanha não podia entrar porque era considerada uma Ditadura.

Para combater o analfabetismo começa a Campanha Nacional de Educação de Adultos.

Em Dezembro de 1953, a PIDE (Polícia Internacional de Defesa do Estado) é encarregada pela NATO, de fazer um levantamento do número de militantes comunistas, para em caso de guerra com URSS, imediatamente os prender, em virtude de serem considerados espiões da União Soviética.

A PIDE sabia sempre onde se encontravam os comunistas. Eles nunca foram muitos. Só os prendiam quando causavam problemas ou quando matavam os próprios camaradas como foi o caso de Manuel Domingos e a polícia tinha de investigar. Agora quando eram expulsos do PC, como Piteira Santos e Manuel Alegre, acusados por Cunhal de terem ficado com dinheiro do Partido, como vem relatado no livro “Foi Assim” de Zita Seabra, a polícia não se metia nesses problemas.

Em 10 de Agosto de 1954, Baptista Pereira vence a travessia do Canal da Mancha com o tempo de 12horas e 25 minutos.

Em 1955 há mais uma greve de pescadores de Matosinhos, Afurada, Figueira da Foz, Setúbal, Olhão e Lagos que acusam os intermediários de serem aqueles que mais lucram com o seu esforço.

Em Julho os soldados protestam com a sua ida para Goa. Esse contingente acaba por não ir. Se isso acontecesse, nesse tempo, na URSS ou na China tinham sido imediatamente fuzilados.

Em Julho de 1956, jornalistas e opositores protestam contra a censura. O Governo não reage.

Em 7 de Março de 1957 começam as emissões regulares da RTP, a preto e branco. Foi uma verdadeira revolução. Os profissionais excederam tudo quanto seria de esperar de gente que dava ali os primeiros passos.

Para obrigar os analfabetos a estudar foram proibidos de participar em competições desportivas e exercer funções diretivas em quaisquer associações, desde que não tivessem, pelo menos, a antiga quarta classe.

O resultado desta medida foi tão grande que a quantidade de alunos obrigou a aparecerem as chamadas Regentes escolares e, mais tarde, os Cursos Superiores passaram a ter só dois anos até equilibrar o rácio aluno professor.

Em Aveiro realiza-se o I Congresso Republicano sem que o Governo impedisse ou perturbasse os trabalhos.

C.S

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Sexta-feira, 14 de Fevereiro de 2014

A partir de 1950 Portugal cresce 6,5% ao ano

Salazar, sabendo das grandes dificuldades por que o país passou por causa das dívidas que a Primeira República (1910-1926) tinha contraído, quando o Plano Marshall lhe foi oferecido ele recusou pois ainda havia muito a pagar e não quis acumular mais obrigações.

O Plano era conhecido como o Programa de Recuperação Europeia, e tomou o nome do Secretário de Estado dos Estados Unidos George Marshall. Destinava-se a ajudar a reconstrução dos países aliados na Europa, depois da II Guerra Mundial.

Portugal foi abrangido pelo Plano porque foi considerado não só um porto seguro como Aliado, por desde o início das operações estar com a Grã-Bretanha devido à sua Aliança com este país, a mais antiga do mundo e nunca quebrada desde 1373.

Em Outubro de 1947 entra em vigor o livro único para obviar a um ensino mais harmónico em todo o território Português, mas também para que as famílias, com muitos filhos, pudessem aproveitar os manuais de uns anos para os outros.

Desde 1932, altura em que aceitou ser Presidente do Conselho (Primeiro-ministro) Salazar, através de uma campanha de publicidade, dirigida por António Ferro, incitava as famílias a terem mais filhos e para isso concedia-lhes prémios e aos pais, se não tinham emprego, bastava requerer o lugar para serem os preferidos. Mesmo aqueles que não sabiam ler, mas que ao fim de três anos de emprego já tinham de saber ler, escrever e contar.

Normalmente iam ou para Guardas-republicanos ou Guardas-fiscais. Conheci alguns e ainda conheço, já com perto de noventa anos que me contaram como estão gratos a Salazar por ter sabido tirá-los da ignorância e da miséria em que viviam, bastante pior da miséria dos dois milhões e trezentos mil dos dias de hoje.

Em Março de 1949 são presos por delação de um camarada comunista, no Luso, Álvaro Cunhal e Militão Ribeiro. Álvaro Cunhal acusa Militão Ribeiro de ser o culpado. Zita Seabra, no livro “Foi Assim” diz que o culpado seria o próprio Cunhal que vivia com a amiga Sofia Ferreira e tinha dado nas vistas.

Em Abril, Portugal é convidado para entrar na NATO, o que seria impossível se Portugal não fosse considerado um país democrático.

Em Novembro são eleitos 120 Deputados à Assembleia Nacional.

Egas Moniz recebe o Prémio Nobel da Medicina.

Salazar, quando teve a certeza que poderia pagar o empréstimo do Plano Marshall, dispôs-se a receber uma ajuda irrisória.

Era de um escrúpulo e de uma cautela impressionantes para um homem com tanto poder mas sempre obcecado em manter as contas em dia.

Em 1950 Salazar inaugura o estádio 28 de Maio em Braga.

A partir de 1950 até 1973 Portugal vai assistir a um forte crescimento da economia Portuguesa devido aos Planos de Fomento, às remessas dos emigrantes e ao turismo, implementado anos antes, resultado das muitas ações de propaganda de António Ferro.

Portugal progredia em passo certo. Cresceu sempre mais de 6,5 por cento ao ano, o que ainda hoje é um feito extraordinário para quem partiu do menos, menos zero e de uma situação de bancarrota tal como a Primeira República o tinha deixado.

C.S

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Quinta-feira, 13 de Fevereiro de 2014

Menéres Pimentel, um homem de bem

A 1ª Legislatura da Assembleia da República (1976-1979) fez que o meu desagrado pela política à portuguesa atingisse níveis de desespero por ver o caminho que o país estava a seguir e a maneira como as forças partidárias ali representadas pareciam alheias ao sofrimento do povo que se avizinhava.

Eram frequentes os votos a favor ou de protesto contra países estrangeiros e com isto, além de nos intrometermos nos assuntos internos dos outros, descurávamos os nossos.

Várias vezes chamei a atenção para o assunto e devido à minha inalterável posição e às declarações de voto que pronunciava, algumas bastante desagradáveis, chegando mesmo a votar sozinho contra o resto do hemiciclo, e nessa altura eram 262 Deputados, o Adelino Amaro da Costa declarou que o CDS deixaria de votar aqueles votos de protesto ou a favor devido à quantidade exagerada como eram apresentados.

O perder tempo, num país sem tempo para progredir deixava-me completamente desesperado e sem saber o que fazer porque a dois terços dos Deputados pouco mais lhes era pedido do que assistir às sessões e levantar e sentar.

Apesar do aviso do Adelino e num dia em que por acaso ele lá não estava, o Deputado Aires Rodrigues resolveu fazer uma preleção sobre os direitos humanos no Irão. O assunto perdeu-se no tempo. Num primeiro desabafo perguntei:- Porque é que não se fecha esta Assembleia? É o Povo Português que a está a pagar. Mesmo assim não se calou o loquaz Deputado. E falou tanto que perdi a cabeça e gritei: - Isto não é a Assembleia da República, isto é a Assembleia da Vergonha! O Aires retrucou: de facto estamos habituados ao comportamento do sr. Deputado. Eu, de cabeça perdida, porque não sabia mais como defender o povo, não o deixei acabar a frase e gritei-lhe: o sr não é um Deputado, é uma carraça do Povo Português!

A partir daqui foi um sarilho. O Presidente da Assembleia da República, o honestíssimo Teófilo Carvalho dos Santos, depois de tentar convencer-me a retirar a palavra, perante a minha recusa, porque era a única maneira que tinha de defender o Povo, ele disse que então fechava a Assembleia, ao que respondi que perante aquilo que o povo estava a sofrer não podia retirar o que disse. A Assembleia não servia para nada, e como não tratava dos assuntos de Portugal era uma Assembleia da vergonha.

Depois deste incidente, resolvi abandonar o meu Grupo Parlamentar e é aqui que o Dr. Menéres Pimentel, um Homem de bem, vem ter comigo e me tenta convencer a ir para o PPD. Agradeci-lhe, mas não era o CDS que me incomodava. Eu até me dava bem ao centro. Era a possibilidade de equilibrar a Esquerda e a Direita, mas sentia-me frustrado e tinha concluído que, com estes políticos, eu nunca mais aceitaria ser Deputado. Mas agradeci-lhe a intenção. Nas várias vezes que nos encontrámos ele foi sempre compreensivo para a minha atitude, mas nunca resistia a uma graça sobre a minha maneira de ver a política e os políticos.

Que onde estiver, o Dr. Menéres Pimentel, encontre a felicidade eterna.

C.S

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Um sargento superior a vários generais em saber e honestidade

Em Fevereiro de 1945 é criada a Junta Central das Casas do Povo, sempre com a finalidade de proteger pessoas de menores recursos.

É assim que nasce a Banda de Música da Casa do Povo de Belmonte com níveis de execução e atuação bastante altos.

As bandas de música eram estimuladas e os quartéis forneceram excecionais maestros e executantes.

Conheci, em Tomar, um primeiro-sargento, o senhor Arnaldo da Fonseca, julgo que era da Cumieira, Vila-Real. Escreveu imensas letras para Bandas.

Lembra-me que na minha terra, a Filarmónica, além dos concertos de Domingo no jardim de Penamacor, tinha também como tarefa acompanhar os enterros.

Estes apartes da história não nos fazem esquecer que no final da Grande Guerra, três meses mais tarde, traz preocupações acrescidas ao Governo por causa da entrada de estrangeiros envolvidos no conflito.

A abertura aos movimentos oposicionistas tinha começado com o Movimento Nacional da Unidade Antifascista (MUNAF) e do Conselho Nacional da Unidade Antifascista.

Em Outubro de 1945 é fundado o Movimento de Unidade Democrática (MUD), sem qualquer oposição do Governo.

No entanto, perante a pressão dos Aliados em saber quem entrava em Portugal devido aos criminosos nazis e aos comunistas que tentariam ganhar terreno, o Governo substitui a Polícia de Vigilância e Defesa do Estado, PVDE, pela Polícia Internacional de Defesa do Estado, PIDE, com um papel mais especializado no controlo de fronteiras e em colaboração com todas as polícias dos países aliados.

Aos comunistas estas liberalidades não interessavam. Promovem greves em Montemor, Vendas Novas, Lavre.

Salazar está decidido a abrir o regime. Concede amnistia aos presos do Tarrafal. Só cem aceitam, os comunistas continuaram. Era a maneira de arranjar vítimas através das mortes por doença e acusar o estado de culpado.

O lema “Produzir e poupar, manda Salazar” ouve-se em todas as bocas e é um incitamento ao trabalho e à poupança.

Mas dividir com Espanha o pouco que havia era uma tarefa árdua e que necessitava muita compreensão apesar de saber que os comunistas aproveitavam a diminuição dos géneros para culpar o Governo. Há manifestações contra a falta de abastecimentos em Fafe, Rio Maior, Golegã, Alcanena, Chamusca, Viana do Alentejo, Silves e greves nos Carvalhos, Tortosendo, Covilhã, Gouveia, S. Pedro da Cova, Viseu, Lisboa, Figueira da Foz.

O SNI apoia todas as manifestações culturais e o povo sente-se feliz porque tem de comer, não tem receio de ser roubado ou preso e a maioria dos filmes e teatros que percorrem as aldeias são gratuitos.

Perante a contestação de escritores, artistas e jornalistas, Salazar que perdoava aos menos cultos, com estes ele ficou ofendido e pediu a demissão ao Presidente Carmona. Este convenceu-o a continuar.

Mas a vida estava difícil. Em 1947 há uma greve de vinte mil operários da construção civil e em Abril, numa tentativa de Golpe Militar, é preso o General José Garcia Marques Godinho que morre de ataque cardíaco.

O General não estava habituado a sofrer, estava só habituado a mandar. Devia ter pensado melhor o Golpe.

O seu advogado, o Dr. Adriano Moreira, pelas violentas afirmações que proferiu sobre este caso também foi preso.

O interessante é que Adriano Moreira, esquecendo o vexame sofrido, aceitou, mais tarde, o convite de Salazar para ser Ministro das colónias. O sentido do dever falou mais alto.

O bem do País estava acima de qualquer outra divergência. As conversas de Estado e particulares não eram trazidas para a praça pública. O tempo era outro. Ainda havia homens honestos e amantes de Portugal.

C.S

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Quarta-feira, 12 de Fevereiro de 2014

Calouste Gulbenkian e o amor a Portugal

O ano de 1942 foi particularmente difícil para Salazar. Em Fevereiro, o Japão informa que ocupou Timor.

A Espanha vivia ainda o caos e a miséria provocados pela Guerra Civil. Cidades, vilas e aldeias destruídas, campos incultos e fome em muitos rostos.

Em Portugal os bens essenciais começam a escassear porque têm de ser divididos com o país vizinho.

Salazar sabe que o desespero dos espanhóis pode trazer graves problemas a Portugal.

Com a desculpa da guerra na Europa, ajuda Espanha e raciona muitos bens, para os quais os portugueses tinham de obter as chamadas senhas de racionamento.

Há um pequeno aumento de preços e diminui a liberdade sindical. Como consequência rebenta um surto de greves.

Salazar vive as dificuldades iguais às de todos os portugueses, mesmo assim protege um significativo número de jovens que comem e dormem em São Bento e dali vão à escola pública.

Todas elas sabiam que o lema era trabalhar nos estudos e poupar.

Segundo Salazar, os sacrifícios tocavam a todos: a Governantes e governados.

É neste clima de apertos que Portugal recebe um dos homens mais ricos do mundo, o multimilionário Calouste Gulbenkian.

Em 1942, Calouste Gulbenkian e a sua mulher Nevarte Essayan, depois de terem analisado todos os pontos do mundo onde poderiam viver, acabam por se fixar em Portugal, por várias razões: a paz, a segurança, a boa disposição dos portugueses, e o clima temperado quente que lhes permitia longas caminhadas em qualquer Estação do ano.

Depois dos primeiros anos em Portugal a paixão pelo País foi evidente.

O resto da Europa era um monte de escombros, de esqueletos e de mortes.

Calouste Gulbenkian, entre os seus advogados, privilegiou Azeredo Perdigão pela sua inteligência, honestidade e competência. É com Azeredo Perdigão que decide agradecer a Portugal a paz que nunca antes tinha sentido.

Calouste Gulbenkian vai deixar em testamento uma das Fundações mais importantes em todo o mundo, com capitais próprios e reprodutivos que privilegiará a Arte, a Beneficência, a Ciência e a Educação.

A Fundação começa imediatamente uma tarefa que ainda nenhum Governo tinha conseguido: levar jovens e adultos para o prazer da leitura.

Como o português é relapso à escola, a Gulbenkian começou com as Bibliotecas itinerantes que em carrinhas levavam, às mais recônditas aldeias do País, livros para jovens e adultos.

Foi um sucesso tão grande que das onze carrinhas, Citroen, iniciais depressa passaram a 47 sempre com total autonomia. As Bibliotecas Itinerantes foram orientadas por Branquinho da Fonseca. Aí trabalharam intelectuais como Alexandre O’Neil e Herberto Hélder. A par desta atividade aparece a Colóquio, revista de Artes e Letras que teve como diretores Reynaldo dos Santos, Hernâni Cidade, Bernardo Marques.

A Fundação Calouste Gulbenkian ainda hoje é das maiores do mundo em ajuda não só a Portugal, mas a variadíssimos países que recebem da sede, em Portugal, largas comparticipações nos domínios mais díspares.

C.S

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Terça-feira, 11 de Fevereiro de 2014

Os jogos políticos salvaram Portugal da guerra

A Segunda Grande Guerra só não chega a Portugal porque Franco ouviu sempre Salazar.

Hitler e Mussolini tudo fizeram para arrastar Franco para a Guerra e este estaria tentado a fazê-lo, mas Salazar mostrou ao General que era um erro grave apesar do Eixo (Alemanha, Itália e Japão) parecerem estar melhor posicionados para vencer a contenda.

Salazar sabia que a entrada da Espanha na guerra iria desequilibrar as forças e, caso o Eixo ganhasse, Portugal, mesmo neutro, não deixaria de ser absorvido pela Espanha.

Franco acabou por não aceitar as propostas nazis e fascistas, mas Portugal continuou a ter de se defender jogando politicamente a sua sobrevivência e tirando daí partido.

Como Portugal fornecia volfrâmio para os Aliados, Hitler fez questão de nos comprar essa matéria, tungsténio, para fabricação de aços muito especiais.

E então acontece algo de extraordinário. Portugal é o único país da Europa em paz e com um superavit (mais receitas que despesas) até aí nunca atingido.

Portugal passa a ser um Oásis no mundo. Oásis porque o bem-estar e a segurança eram totais e porque aqui podiam abrigar-se todos os fugitivos do mundo desde que não se metessem em política.

Salazar, seguindo uma política cultural do Estado Novo, faz a Exposição do Mundo Português, também conhecida pela Exposição dos centenários, por celebrar o início de Portugal como Nação, 1140, e da Restauração em 1640 mostrando, ao mesmo tempo, que é possível viver em paz e progresso com todas as raças e etnias.

O evento foi aproveitado para reabilitar toda a zona de Belém e para fazer inúmeros restauros em monumentos degradados.

Colaboraram no desenvolvimento e montagem da Exposição nomes como Júlio Dantas, António Ferro, Cottinelli Telmo, Leitão de Barros, Cristino da Silva, Martins Barata, Pardal Monteiro, Veloso Reis, Raul Lino.

A Exposição dividia-se em várias secções: “História, Etnografia, com a reconstrução das Aldeias Portuguesas, e Mundo Colonial, com a reprodução da vida ultramarina”.

Neste acontecimento excecional, que mostrava ao mundo um País em paz e progresso trabalharam 12 arquitetos, 43 pintores e 19 escultores.

Ao mesmo tempo que decorria a Exposição fez-se o Congresso do Mundo Português onda participaram centenas de historiadores.

A Europa em Guerra feroz, sanguinária, desumana olhava espantada o que acontecia em Portugal.

A inteligência de Salazar, de António Ferro, de Duarte Pacheco, e de muitos outros conseguiram, em poucos anos, transformar um país miserável, saído da Primeira República, num País que não só tinha sabido tirar do solo o primeiro sustento para uma população esfomeada e desorientada, mas atrair, em seguida, gente que nunca teria pensado aqui se instalar e viver até ao fim da vida, como foi o caso do multimilionário Calouste Gulbenkian.

A Fundação Calouste Gulbenkian teve um peso idêntico ao do Estado e contribuiu e continua a contribuir para o desenvolvimento das letras, das ciências e das artes em Portugal.

C.S

publicado por regalias às 09:22
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Segunda-feira, 10 de Fevereiro de 2014

A guerra na Europa, os judeus e a irracionalidade

Ainda não estava terminada a guerra Civil em Espanha e já Hitler desencadeava a II Guerra Mundial (1939-1945); mais feroz que a anterior e muito mais criminosa.

Os militares tornaram-se assassinos profissionais, dirigidos por um Governo legítimo. Morreram mais de sessenta milhões de pessoas.

O ser humano tornou-se o animal irracional mais sofisticado porque tem consciência do mal que pratica.

Salazar tem a perceção de que uma das grandes vítimas vão ser os judeus e, mesmo antes do deflagrar da II Grande Guerra, em 1938, envia instruções às embaixadas alemãs e às dos outros países para prestarem a devida proteção aos judeus portugueses.

Com o início e o decorrer da guerra, os judeus foram, na verdade, os alvos da fúria nazi e, então, viu-se que países como a Grã-Bretanha recusa a entrega de vistos a cidadãos judeus, assim como outros países, caso dos Estados Unidos, Suécia, Suíça e Canadá que colocavam sérios entraves a que eles fossem passados ao contrário de Portugal, cujas regras eram mais flexíveis. Mesmo assim isso vai dar origem ao caso Aristides de Sousa Mendes para mostrar a firmeza de Salazar.

Este acontecimento foi despoletado porque Aristides de Sousa Mendes tinha sido denunciado por um banqueiro judeu a quem exagerou no preço do documento.

Como este assunto podia fazer perigar a neutralidade de Portugal e Sousa Mendes, devido à crónica falta de dinheiro, já tinha praticado um caso gravíssimo de falsificação de documentos, o Cônsul teve de responder sobre esta acusação.

Alguns judeus, que são especialistas em mentiras, por qualquer razão incompreensível resolveram glorificar o homem e diminuir Salazar que lhes proporcionou a entrada em Portugal, os alojou nos melhores locais e tinha dado ordens secretas a Embaixadas e Consulados para os judeus serem ajudados, com os devidos cuidados. Salazar salvou dezenas de milhares de judeus.

Mas os especialistas em mentiras, e não estou contra Aristides de Sousa Mendes, resolveram inventar que ele passou trinta mil documentos, o que é impossível pelo tempo em que decorreu a escrita e o número exíguo de pessoal. Eu trabalhei no Consulado Portugal em Paris e por mais cálculos que tenha feito, nunca iriam além dos oito mil. De qualquer maneira foi uma ajuda.

Salazar nunca perseguiria Aristides de Sousa Mendes, por várias razões. Uma delas é que o Aristides era irmão gémeo de César Mendes, que foi Ministro dos Negócios Estrangeiros de Salazar.

E a miséria a que Aristides foi condenado era um salário mensal de cerca de 1600 escudos na aposentação forçada, o que na altura era quatro vezes superior ao ordenado de um professor do secundário no ativo, ou seja, hoje equivaleria a sete mil e quinhentos euros.

Mas houve outros cônsules e vice-cônsules e embaixadores que continuaram a ajudar judeus como João Carvalho da Silva, com quem trabalhei no Consulado Português de Paris. Veiga Simões, embaixador em Berlim, o cônsul de Milão Giuseppe Agenore Magno, o cônsul em Génova Alfredo Casanova e, em Budapeste, com autorização expressa de Salazar, para o caso dos judeus Húngaros, Sampaio Garrido e Carlos Teixeira Branquinho.

Quando se tenta minimizar tudo aquilo que Salazar e Portugal fizeram a favor dos judeus bastaria consultar os lugares onde foram alojados, a maneira como foram tratados e aquilo que a maioria disse sobre Portugal e os portugueses para verificar como até entre os portugueses e alguns, bastante beneficiados, a irracionalidade e a ingratidão os limitam à condição de animais desprezíveis, embora encadernados de seres humanos.

C.S

publicado por regalias às 09:35
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