Segunda-feira, 2 de Maio de 2016

Pacheco, as desculpas não se pedem evitam-se

Ler o Pacheco é como ouvir o fado. O homem toca e canta segundo as estações. Vem do PC ao PSD com a facilidade concedida aos escritores que mergulhados em milhentos livros mastigam a salada ao sabor da escrita.

A leitura é sempre agradável, embora o conteúdo possa ser azedo.

“Para a nossa direita radical o Papa é do MRPP”, diz o Pacheco.

O Pacheco apresenta os antecedentes lógicos de uma conclusão, só que uma das premissas, a santificada, é bem mais direitista, unívoca e Ditatorial do que aquilo que o Pacheco quer denunciar.

A filosofia está para o Zé Pacheco, como a água do mar está para as varinas da Nazaré. É salgada, sabe bem, ondeia os pensamentos.

Quanto à facada na Direita explica-se pelos genes. Encostou-se, mamou, engordou e descuidou-se. Em democracia tudo é perdoado, só que as desculpas não se pedem evitam-se.

A Democracia não respeita ninguém. Rasoira tudo. A bitola é igual para todos.

O Papa, senhor absoluto do Vaticano e das almas gémeas, não escapa à veniaga humana e às suas tentações.

O Pacheco não é defensor das Offshore, mas é da violência sob a capa da hipocrisia e do esconderijo.

Prefere Estaline a Putin e Fidel de Castro ao Barrigana.

O futebol do último é mais honesto do que o assassinato escondido do Che Guevara.

O Pacheco é impoluto. Sabe de filosofia. Não bate em mulheres. Só em jornalistas de ocasião e que não se fazem pagar. O que é perigoso para o freelancer que tem de viver, comer e arrotar.

O Pacheco ao insurgir-se sobre aqueles que não se fazem pagar, a peso de oiro, defende o seu posto com unhas, dentes e barriga.

O Pacheco é um pacífico revolucionário. Escandaliza-se que outros possam defender o que ele ataca e espera ser recebido pelo santo Padre e pelos santos pecadores que o Francisquinho perdoa e beija beatificamente para que a sida que os persegue seja imunizada pelo beijo salvífico.

Pacheco também quer a bênção para poder desancar todos aqueles que, como ele, saltando da Esquerda para a Direita não fazem o que faz e diz.

Razão tinha o “Sempre Fixe” ao publicar uma quadra respeitante ao pai de um camarada do José Pacheco no PPD, e que virava com facilidade. Refiro-me ao Engenheiro Cunha Leal.

Para quem não a conhece, aqui vai: “Dizem os do Governo/ E os da Oposição/ O Cunha pode ser cunha/ Mas Leal, isso é que não.”

Quando encontrar rima para o Pacheco mando ao Papa.

 

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C.S

publicado por regalias às 05:37
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Domingo, 1 de Maio de 2016

O Portugal que saiu da Primeira República

Uma pessoa sem dinheiro é um prisioneiro sem grades.

Os milhões de pessoas que hoje se encontram em Portugal nesta situação é um terço daquelas da Primeira República. E nesse tempo a população portuguesa era menos do que atualmente. Por aqui já se pode fazer uma ideia da terrível situação em que o país se encontrava.

A Revolução do 28 de Maio de 1926, por mais que tentasse, mesmo governando em Ditadura, não conseguiu solucionar nenhum dos graves problemas que careciam de resolução, o menor dos quais era o das estradas que não existiam como as concebemos hoje. Eram verdadeiros caminhos de cabras, onde os assaltos continuavam. O único meio de transporte mais seguro era o comboio.

As carroças puxadas a muares, os carros de bois e os burros tinham a força motriz dos semoventes (mulas, bois, burros – movem-se por si mesmo).

Esta tração, além do ar típico era bastante cheirosa. As vilas, aldeias e cidades eram perfumadas a bostas destes animais, a que se juntavam os rebanhos de cabas e ovelhas.

Mas nada se estragava, havia sempre gente que ao cair da noite, enquanto uns descansavam e esperavam esfomeados pela ceia onde o feijão, a batata, o grão e a couve quase sem condimentos e raro conduto, normalmente um bocadito de carne de porco, os outros, os da rua metiam para latas ou baldes a riqueza que os animais largavam pelo caminho e iria fortificar o estrume com a mistura da palha e da carqueja macerada pela urina dos animais quando entravam no curral.

Foi a partir do nada, que Salazar, que entrou dois anos depois da Revolução, reergueu o País. Serviu-se de uma Lei muito simples que o químico Lavoisier descobriu “Na Natureza, nada se cria, nada se perde tudo se transforma”. Lavoisier também sofreu da ignorância dos homens: foi Guilhotinado durante a Revolução Francesa (1789-1799), que criou os Tribunais Revolucionários, tal como a seguir ao 25 de Abril, a UDP, hoje BE, fez quando, em Tomar, declararam o assassino, José Diogo, inocente e o assassinado, Líbano Monteiro, lavrador alentejano, culpado.

Voltemos aos primeiros anos do Estado Novo.

Não havia dinheiro, mas havia vontade e imaginação para sair do sufoco em que todos viviam, menos os familiares dos antigos políticos.

Como o dinheiro não abundava apareceram as cédulas camarárias, papel timbrado com o nome da terra e o valor e as senhas de racionamento para que o pouco que havia chegasse para todos.

Nas grandes mercearias ou nas cantinas da CP, lembra-me a de Maceira-Liz Martingança, também funcionava uma espécie de vales que pagavam, recebiam e podiam ser trocados.

Até os ciganos e os cesteiros ambulantes contribuíam para o esforço nacional; uns aproveitando tudo, os outros fazendo cestos e canastras.

Assim crescemos, progredimos e nos defendemos dos erros cometidos.

 

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C.S

publicado por regalias às 07:12
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