Quinta-feira, 13 de Junho de 2019

Alunos, indisciplina e amor ao ensino

Em 1973, no tempo em que Portugal era feliz e sonhava ser um dos países mais prósperos da Europa, os alunos tomavam atenção às aulas e havia disciplina nas turmas. Os professores adoravam ser professores e ensinar, para que, um dia, os alunos fossem melhores que eles. O mundo evoluía.

Veio o 25 de Abril trapalhão, egoísta e vigarista. Foi decretado que era proibido proibir. A Liberdade seria total, promessa de políticos dirigidos por um estúpido frustrado, chamado Cunhal e acolitado por uma cambada de lacaios que gritando liberdade atiraram a juventude para o descontrolo e a libertinagem.

Em 1974 era professor em Tomar. Vivi todo o abandalhamento do processo revolucionário, mas não lhe sofri os efeitos nas minhas aulas.

Os jovens dos últimos anos, aproveitaram o incentivo dos humanoides falantes faziam comícios pelas salas de aulas. Nunca fizeram nas minhas.

Quando pediam licença para entrar e catequizar os mais novos com a cartilha revolucionária, só levantava o braço e apontava-lhes a porta. Alguns barafustavam. O Pocinho, bastante inteligente tentava argumentar. Respondia-lhe: manda cá o teu pai para entender o que dizes.

Os dois anos a seguir à revolução correram bem. Infelizmente fui eleito Deputado sem esperar. Tinha aceitado concorrer em segundo lugar depois de muito massacrado. O CDS não tinha elegido nenhum Deputado em 1975. Era lógico que em 1976, depois de todos os insultos e ameaças, o resultado fosse idêntico. Não foi. Elegeu 42 Deputados. Tive de deixar a escola. Passados quatro anos, quando regressei o assunto era mais grave. Com os alunos nunca tive problemas apesar de manter a mesma atitude.

Na Ucrânia, na Rússia, na China, na Alemanha, na Suíça e em países civilizados os alunos sabem que estão na escola para aprender.

Como se consegue este resultado? Amando os jovens como se amam os nossos irmãos ou os nossos filhos.

Desde o primeiro dia de aulas, os alunos têm de perceber isso.

O Professor nem pode mostrar timidez nem stress. Amor. E o amor tem palavras essenciais. Evite aplicar a palavra não. Peça sempre por favor, diga obrigado, com licença, faz favor. Durante as aulas não mostre muitas vezes os dentes, mas tenha sempre uma cara amiga.

Um aluno está com o telemóvel. Faça-lhe uma pergunta sobre um assunto diferente e diga-lhe: desculpa. Guarda o telemóvel faz favor e responde ao que perguntei. Depois da resposta, diz-lhe: durante as aulas os telemóveis ficam sempre guardados. Os pais se quiserem que os professores tenham outra atitude devem cá vir e assinar uma declaração sobre os telemóveis.

Se o aluno quiser falar sobre o assunto, responda-lhe: agora temos de acertar os planos para as aulas. No intervalo podes conversar comigo.

A firmeza, sem frases negativas e com boa educação, em todas as situações resulta sempre. Os miúdos não são estúpidos.

 

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C.S

publicado por regalias às 06:32
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