Segunda-feira, 17 de Junho de 2019

Escreva um livro para a posteridade e pense no regresso

Portugal tem um grande número de ricos que morrem desconhecidos e que trabalharam noite e dia para amealhar sem saber a quem deixar.

Muitos não casaram, outros não tiveram filhos. Desapareceram do mundo como se nunca aqui tivessem estado.

Conheci alguns.

Um deles a quem sugeri a ideia de colocar em livro a sua história, riu-se, disse que havia de pensar no assunto e em resposta encarregou-me de fazer uma sondagem sobre a possibilidade que ele teria de ser eleito Presidente da República.

Já aqui falei neste assunto e por esse motivo só acrescento a ideia do livro.

Fiz na verdade a sondagem e ela era baixíssima. Não tinha quaisquer hipóteses. Ficou muito aborrecido, quase zangado. Uns anos mais tarde telefonou-me e perguntou-me se ainda estava interessado em lhe escrever a biografia. Disse-lhe que sim. Combinámos o mês para o primeiro encontro. Ele faleceu três meses antes, mas deixou a este povo de trabalhadores, de poupados e de ingratos, 500 milhões para uma Fundação contra a cegueira.

Cegueira que leva o ser humano a não ficar para além da morte, contando aos que ficam como foi a sua vida; os erros, as virtudes e os desejos.

E é espantoso como os portugueses são extraordinariamente inventivos e ao mesmo tempo incapazes de reconhecer o seu valor e dizer como fizeram para viver a vida que levaram.

Conheci vários com grande habilidade e intuição que deixaram trabalhos notáveis a que não deram importância.

Dois deles, da mesma família, um desenvolveu duas debulhadoras excecionais para descasque de arroz; outro, numa oficina em França inventou uma chave, que deu origem a uma marca de chaves internacional. O patrão gratificou-o bem, sem ele exigir fosse o que fosse, mas o nome dele não consta como inventor.

Esta modéstia e desinteresse não faz sentido.

O ser humano não é um irracional sem história. O ser humano deve marcar a sua presença neste mundo e…se um dia cá voltar…reconheça na semente que lançou à terra, as suas recordações.

A força, o entendimento e o desenvolvimento do mundo são fruto destas viagens intemporais entre o sonho, o pensamento e a realidade.

 

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C.S

publicado por regalias às 05:46
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