Sexta-feira, 22 de Maio de 2020

O ser humano não tem consciência de si próprio

Podia dizer de outro modo: o ser humano é um ser inconsciente.

Há muitos anos, mais de setenta, um dos livros da Coleção Azul, que entretinham os tempos livres de minha mãe, quando não tinha autores Portugueses para ler, tinha como título “A vida é um sonho”, embora nunca o tivesse lido; o Camilo e o Eça eram os favoritos e suplantavam os livros de estudo.

Mas “A vida é um sonho” aparecia muitas vezes na minha cabeça tanto no estado de vigília como no campo do sono.

Não sei porquê não o lia. Devia ter medo que isso fosse verdade. Nunca o folheei.

No Colégio de São José, em Mangualde. Era ainda uma criança, despertaram os sentidos. A professora era um mundo de carícias. Eu um mundo de espanto que guardei nos segredos do pensamento, durante muitos anos e que descrevo num livro que nunca publiquei, mas que julgo, ainda está na Internet, com o título “Olá Juventude”. Onde me desnudo, na tentativa de me entender.

Trabalho inútil. Nunca me entendi.

A minha consciência sempre me repreendeu pelas faltas cometidas e pelas ações desmedidas que praticava, mas que pouco ou nada me contentava.

Ao condenar os atos violentos de guerra que nesses tempos, 1936-1945 ( Guerra Civil Espanhola, Segunda Guerra Mundial), me despertavam para a vida, não sentia a consciência, não a compreendia.

Minto, acordava quando sentia as levas de pobres que sendo o fruto da Primeira República, 1910-1926, todas os fins-de-semana se juntavam à porta da casa dos meus pais para receberem a esmola que os alimentava.

A minha dor era tão grande, que me sentia desfazer, no meio de uma vida de grandes desigualdades provocadas pela inconsciência dos homens.

É. O ser humano não tem consciência de si próprio, caso contrário as centenas de milhares de refugiados que vivem, morrendo todos os dias, nos campos da Turquia, da Grécia e da Itália e cujos sobreviventes entrarão no centro da Europa espalhando o vírus da morte, mostra bem a inconsciência do ser humano.

E eu não lhes consigo valer. A minha consciência não os soube ajudar.

Comecei a escrever livros para não morrer como os cães e os gatos. Podia ajudar o ser humano. Chego ao fim da vida, desiludido com o tempo que por aqui passei e com este inconsciente.

 

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C.S

publicado por regalias às 05:52
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