Quinta-feira, 6 de Agosto de 2020

Antena1 sucessora dos tempos áureos da Emissora

A Antena1 ao fazer oitenta e cinco anos podia ter apresentado os momentos mais significativos da sua vida e que, com os seus programas e conversas, ajudou, em muito, a recobrar o ânimo de Portugal, totalmente destruído por uma Primeira República que não conseguiu sobreviver às promessas incumpridas dos Governantes e à raiva dos governados que tudo exigiam sem cuidar se havia ou não capacidade para lhes dar o que queriam. Daí o ditado “A rico não devas e a pobre não prometas”.

Salazar, que tinha nascido pobre e conhecia bem o carácter dos portugueses, ao ser chamado para o Governo, dois anos depois da Revolução de 1926, viu que só convencendo o povo através de um meio de difusão, que abrangesse Portugal de Norte a Sul, seria possível acalmar o povo, que continuava com pequenos levantamentos e exigências, que gastavam aquilo que ele penosamente ia juntando.

Salazar teve a sorte de a partir de 1933, ter junto dele um Homem excecional, António Ferro, que tinha o mesmo amor a Portugal que ele. De cultura invulgar, e trabalhador incansável, apoia a ideia de uma emissora de larga difusão. Em 1934 começam as emissões experimentais, com uma peça de teatro “A Ceia dos Cardeais”, de Júlio Dantas, Homem também de rara inteligência e entranhado amor a Portugal.

A emissão experimental é um sucesso. Em 4 de Agosto de 1935 dá-se o verdadeiro nascimento da Emissora Nacional.

Ainda eu mamava quando ouvi a primeira emissão. Pelo menos foi o que minha mãe me disse. Ela tinha sempre a rádio ligada no tempo da emissão, desde as 8 ou 9 horas, até às 23 ou 24; não tenho bem a certeza das horas. Abria com o Hino Nacional e fechava com o Hino Nacional.

Quando tocava o hino, toda a gente se levantava, se calava até que terminasse.

Durante o dia, com música e conversa, pequenas sugestões e alvitres para resolver problemas de sementeiras ou escolha de produtos, o povo ia sendo educado.

O resultado foi excelente. Em 1936 acabam praticamente os conflitos, Salazar é ouvido. Ele era como o povo: gostava de sardinhas, carapaus fritos, feijão pequeno e bebia vinho tinto. Nas suas explicações insistia que unidos, os portugueses, podiam levantar Portugal e melhorar a vida de toda a população, pensasse cada um como quisesse. Não podiam era impedir os outros de trabalhar.

O apelo surtiu tanto efeito que o próprio Carlos Rates, ex-Secretário do Partido Comunista, fez parte da Assembleia Nacional, assim como muitos outros opositores do Estado Novo.

A rádio com as vozes de Maria Resende, Maria Leonor, Manuel Lereno, Carmen Dolores, Eunice Muñoz, Canto e castro, Carlos Ferreira, Artur Agostinho, Pedro Moutinho e muitos outros, tudo gente de integridade total e amor à camisola, cativavam quem os ouvia.

Os diálogos radiofónicos da Lélé e do Zéquinha ficaram célebres. Deram origem ao chamado Teatro Radiofónico. Irene Velez, mulher de Igrejas Caeiro, contracenava com Vasco Santana. A maioria dos diálogos, escritos por Aníbal Nazaré são irresistíveis. Se a Antena1 os tem passado, no dia de aniversário, tinham feito sucesso e aliviado o medo da pandemia.

O fado, os folhetins e as peças de teatro foram os suportes para o sucesso da Emissora Nacional que, uns tempos depois do 25 de Abril passou a Antena1, que eu oiço, critico ou louvo segundo aquilo que penso. Nunca com vontade de a prejudicar, mas de melhorar através dos seus profissionais, que podem pertencer ao Partido que quiserem, mas o serviço Público deve ser honesto e independente.

“Todos por um e um por todos” ao serviço de Portugal e dos Portugueses.

 

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C.S

publicado por regalias às 05:27
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