Terça-feira, 1 de Setembro de 2020

Os estranhos poderes do ser humano IV

Para entender melhor os raios energéticos, de que já falei num blogue anterior, pense no Covid 19 que saiu invisível do rabo de um morcego e está presente em todo o mundo. Tal como o raio que ligou todos os seres humanos. Um só vírus multiplicou-se por milhões.

Para se entenderem todas as ligações tenho de continuar a conversa de ontem. No CDS nunca me inibi de dizer o que pensava. Quando o Freitas fez um processo disciplinar ao General Galvão de Melo e o pôs na rua como se faz a alguém desprezível, mostrei o erro, assim como lutei para não sairmos do II Governo. O mesmo aconteceu no caso Nobre da Costa em que discordei da atitude tomada. Freitas tenta fazer-me um processo idêntico ao do General e, em 6 ou 7 horas de debate, até às cinco e meia da manhã, perde. Fica furioso e anda meses sem aparecer no Parlamento. Eu fiquei triste. Gostava do Freitas apesar dele me detestar. Tentava evitar que errasse. Era um homem muito inteligente, culto e com uma memória assombrosa, mas um mau estratega. No meu espírito começou a bailar a ideia de sair da Assembleia da República e, sem ninguém esperar, tornei-me Deputado independente. A minha última intervenção no Parlamento foi em defesa de Maria Lurdes Pintasilgo e de critica à atitude dos Deputados.

O Dr. Menéres Pimentel convidou-me imediatamente para integrar o PPD. Agradeci, mas recusei. Voltei ao ensino.

Passados quase três anos dá-se o segundo clique.

Estava em conversa com um amigo e vejo ao longe o Nobre, um colega que não encontrava há anos. O Nobre aproximou-se e diz-me numa voz seca, quase sumida. “Estás bom?”. Perguntei-lhe: que fazes por aqui?

- “Fui a Fátima." Retorqui rindo: andas muito religioso.

E o Nobre conta-me a sua enorme angústia. Tinha a única filha com os dias contados. A Leucemia tinha prazo de mais oito e em desespero de causa fora ao Padre Miguel.

Quando subiu os degraus em pedra e bateu à porta, apareceu o padre com uma batata numa mão e a faca na outra. Entretanto a mulher e a filha, a muito custo, tinham subido a escadaria. O padre, com voz, um pouco agreste, perguntou: de onde vindes? Que quereis?

- “É a minha filha, disse-lhe a minha mulher lavada em lágrimas. O padre, só então pareceu reparar nela. Olhou-a durante uns segundos, colocou a batata e a faca na mão esquerda e dá três fortes pancadas na cabeça da criança. Depois diz: ela não tem nada! Ide embora! Toma vinte e cinco tostões para a rapariga e cinco escudos para cada um de vocês. Agora ide que se faz tarde. Setúbal é muito longe.”

A história é grande e não cabem aqui mais que os detalhes. No dia seguinte o Nobre, a mulher e a filha almoçaram em Tomar no Hotel dos Templários onde já tinham reservado as refeições; eu fui com eles. A jovem petiscou, mais do que comeu e nos dias seguintes todos os dias lhes telefonava a saber novidades.

A jovem estava curada e os médicos incrédulos, perguntavam-se o que tinha sucedido.

Depois deste resultado, o meu pensamento nunca mais parou. No fim do ano abandonei a Escola Santa Maria do Olival, onde já estava a faltar, coisa que nunca tinha acontecido. Fui tentar compreender o que se passava com aquele homem.

 

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C.S

publicado por regalias às 05:23
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