Quinta-feira, 10 de Setembro de 2020

A geração rasca do Jorge, continua à rasca

A geração rasca formou-se poucos dias depois do 25 de Abril e fixou-se com a chegada do inacreditável Álvaro Cunhal com a frase é proibido proibir, valia tudo menos tirar olhos.

Nesse tempo ensinava no Liceu de Tomar. A sala de aulas era no terceiro andar e mal a campainha tocava para o intervalo as escadas e o pequeno pátio enchiam-se a abarrotar.

Um dia, já no meio da escadaria, três jovens do MRPP abriam caminho gritando: “Deixa passar, os militares querem-nos prender!” Mal passaram por mim, apareceram três militares: um sargento e dois soldados que abriram caminho aos empurrões. O sargento chegou onde eu estava de braços abertos, seguro ao corrimão e tocando na parede. O sargento olhou para mim com ar ameaçador. Eu disse-lhe: “Isto é uma Escola”. O homem encostou-me a metralhadora à barriga. Com toda a calma disse-lhe: pode disparar e passar por cima do cadáver, mas enquanto vivo o senhor não passa; e repeti: “isto é uma escola.” O homem olhou-me com raiva, voltou-me as costas, acompanhado dos dois militares, desceu as escadas e desapareceu.

A partir desse momento passei a ser o único professor a quem os jovens obedeciam sem contestação, tanto no velho edifício como na Escola de Santa Maria do Olival.

A Geração rasca a que Vicente Jorge Silva se referiu num magnifico texto de 6 de Maio de 1994, no Jornal Público foram fruto do PREC, feito de ameaças e insultos que amedrontaram professores e toda a classe de dirigentes, que muito ou raramente se opuseram à bestialidade que impunha leis, que cercou os Deputados da Assembleia Constituinte, que deitava fogo e roubava a Embaixada de Espanha, que roubou um milhão e duzentos mil hectares de terras perante a passividade dos militares, que muitas vezes ainda ajudavam ao desvario, tal como confessou Otelo Saraiva de Carvalho, que anos depois, tal como encabeçou a revolução do 25 de Abril, encabeçou um bando de criminosos que mataram 18 civis.

Esta criação larvar da geração rasca, contaminada pela droga, pelos exemplos e pela libertinagem estendeu-se pelos anos seguintes. Em 1994, Vicente Jorge da Silva não aguentou mais e explodiu escrevendo:

“São responsabilidades que também partilhamos neste jornal, mas que deveriam ser sobretudo assumidas pelas televisões que começaram por filmar os protestos estudantis como atos quase heroicos e antifascistas.”

Nesse dia, o jornal “Público” prestou um enorme serviço ao País. As coisas melhoraram bastante, infelizmente não tanto como seria necessário.

Ao recordar com admiração e saudade, Vicente Jorge da Silva, incito os Governantes a Governar sem medo. Só assim se pode Governar qualquer país: com autoridade, respeito, segurança, a caminho da prosperidade, que neste momento só uma minoria desfruta.

Ninguém é feliz num país de videirinhos, de corruptos e de desonestos.

 

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C.S

publicado por regalias às 06:19
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