Sexta-feira, 9 de Outubro de 2020

Bruxelas só agora descobriu a criança cigana

Há mais de quarenta anos já eu chamava a atenção para a Criança Cigana na Assembleia da República. O Parlamento Europeu ouviu.

Deixo aqui os dois primeiros parágrafos da intervenção. Ela está completa na Internet, em Debates Parlamentares.

“Entre os grupos sociais radicados em Portugal que por ventura se podem queixar de desfavor social avultam, sem sombra de dúvida, os ciganos.

Sem esquecer a homenagem devida à heroica persistência na luta por uma vida livre e independente - quase única no mundo - não posso deixar de lamentar, especialmente neste momento, o abandono a que vem sendo votada a criança cigana, para a qual ninguém pensou jamais em infantários, em maternidades, em jardins-escolas, nem ninguém quis recuperar e encaminhar na vida.”

Passadas mais de quatro décadas, Bruxelas acordou.

É verdade que o povo cigano é tremendamente complicado.

Antes e depois de ter saído da Assembleia da República, estudei as pessoas, escrevi bastante sobre elas, mas tudo desgarrado, sem um fio condutor. A sua conduta é de tal modo diversificada que é necessário, grande paciência e um estudo com vários intervenientes no processo.

Experimentei ensinar crianças ciganas, ganhando a confiança da avó de um deles e a partir daí, num jardim onde há uns pequenos muros, comecei a ensiná-los a ler, escrever e contar. Alguns tinham cinco, seis anos, os outros um pouco mais velhos, mas todos foram para a escola oficial.

São muito inteligentes, sempre atentos e sossegados, o que admirava quem por ali passava.

Julgo que Portugal é dos poucos, ou talvez o único país da Europa, que fez alguma coisa pelos ciganos.

Nas escolas, os professores têm de lhes saber falar. Eles são impecáveis. Mas se sentem fraqueza ou se se consideram descriminados, causam problemas.

Nos serviços públicos acontece o mesmo.

Lidei com centenas de ciganos e ciganas, novos e velhos. É preciso um forte jogo de cintura. As surpresas acontecem quando menos se espera. Mas não são ingratos. Por um amigo dão o corpo às balas. Várias vezes conversei com o General Galvão de Melo sobre os ciganos. Ele tinha grande ascendência sobre eles e absoluta confiança neles.

Como em todas as sociedades, a chave da integração está nas crianças. A sua educação, de maneira natural, está na Escola.

 

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C.S

publicado por regalias às 06:03
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