Quinta-feira, 31 de Dezembro de 2020

A Constituição de 1933 com as regras Democráticas

Salazar, por mais que os demagogos tentem sempre encobrir os seus erros, com a maneira como ele soube fazer passar Portugal de um País miserável a um País progressivo, explicou sempre o que fazia, como fazia e porque fazia. Os traidores a Portugal preferiam que o povo continuasse miserável, faminto e ingovernável através das greves e dos motins durante a Primeira República e que encheram os primeiros anos da Ditadura Militar e do Estado Novo de pedintes e de miséria, que Salazar enquanto Ministro das Finanças desde 1928 até 1932 e desde então até 1968 não se cansou de revitalizar e fazer progredir, chegando a partir de 1950 a ser o País do mundo com um crescimento de 6, 5% ao ano, algo que só foi alcançado, anos depois pela Coreia do Sul, Singapura, Formosa e Hong-Kong,

Os parasitas, os egoístas, os estúpidos e os traidores preferiam que Portugal continuasse em permanente desorientação.

Salazar ao ser convidado pela Ditadura Militar para ser Presidente do Conselho (Primeiro.Ministro). teve o cuidado de explicar a estratégia que ia aplicar e escolher os mais competentes para recuperarem Portugal depois de ele, quando Ministro das Finanças ter posto as contas em dia e já ter dinheiro suficiente para se lançar em Obras Públicas que conseguissem fazer diminuir o desemprego e beneficiassem todo o País, ao mesmo tempo que apoiava os industriais que mais garantias davam para bem servir Portugal.

Nas Obras Públicas distingue-se Duarte Pacheco que rodeado de engenheiros e outros homens de valor arranca com os Bairros Sociais de Alvalade, Encarnação, Madredeus, Caselas; escolas por todo o país, manda reparar castelos e outros monumentos em ruínas, constrói pousadas para apoio ao Turismo, segundo uma ideia de António Ferro que desenvolverá, com êxito, quando passou a Diretor do SNI.

Duarte Pacheco organiza a rede de transportes, moderniza os Correios e telecomunicações, abastece de água Lisboa, manda irrigar as terras mais produtivas. Levanta o Estádio Nacional, o Parque de Monsanto, a Fonte Luminosa, a marginal-Lisboa Cascais, a auto-estrada Lisboa-Vila Franca de Xira, a Casa da Moeda, o viaduto de Alcântara, o Instituto de Oncologia, o Aeroporto de Lisboa, repara e aumenta a capacidade dos portos. Funda o Curso Superior de Arquitetura.

Salazar não descura nenhuma das das frentes para salvar Portugal do atoleiro em que a Primeira República o tinha lançado por incapacidade governativa, por quererem estar sempre a bem com Deus e com o Diabo, que é o mesmo que dizer; por não saberem um mínimo de sociologia.

Salazar apoia Alfredo da Silva que era um Homem incansável, inteligente e bem disposto. Salazar deu-lhe rédea livre desde que os seus preços fossem mais baixos e a qualidade fosse igual ao dos produtos importados. Imediatamente as fábricas se multiplicam pelo País: Lisboa, Porto, Barreiro, Alferrarede, Soure, Canas de Senhorim, Mirandela.

Alfredo da Silva funda a CUF e desde sabões, velas, óleos alimentares, tecidos, sulfatos, adubos, enxofres até aos grandes empreendimentos como os Estaleiros da Lisnave, a Carris, o Banco Totta, a Tabaqueira, a Seguros Império; Alfredo da Silva não pára. A CUF tornou-se a Empresa mais importante da Península Ibérica.

Outro caso interessante; a metalúrgica Duarte Ferreira no Tramagal que partindo do zero, da força de trabalho, do querer e da inteligência é outro motivo para estudo sobre a capacidade dos portugueses.

Ao sair a Constituição Portuguesa de 1933, ela, no artigo 8º concede todos os Direitos, Liberdades e Garantias fundamentais a qualquer regime Democrático.

Salazar foi sempre um defensor das liberdades individuais desde que elas não prejudicassem a grande maioria do povo e utilizou a Democracia Orgânica, com os mesmos princípios que qualquer outra Democracia. Quanto a mim mais coerente e justa.

Para isso, depois de publicada a Constituição de 1933, sempre que havia exageros contra o bem-estar de todos os cidadãos, Salazar dava-lhe uns retoques fazendo sair decretos regulamentares que proibiam, por exemplo as greves, que ele considerava um crime grave que prejudicava o País e todo o povo.

No próximo Blogue, falaremos sobre a Democracia Orgânica que foi sempre aplicada durante todo o Estado Novo.

Coloque a máscara. Os Covid são gulosos dos que fazem greves à máscara e a todas as regras que tentam preservar a saúde.

 

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C.S

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Quarta-feira, 30 de Dezembro de 2020

Salazar, Ministro das Finanças a Presidente do Conselho

Salazar não aceitou o lugar de Ministro das Finanças, enquanto os militares não se entendessem. Dois anos depois aceita o cargo, mas avisa: “Todos os sacrifícios são necessários”. Peço confiança na minha inteligência e na minha honestidade”. “Enquanto houver um Português sem trabalho e sem pão a revolução contínua”.

Salazar sabia por estudo, que um verdadeiro Estadista tinha de ser alguém com sabedoria, honestidade e sem limitações partidárias.

Para levar a cabo a recuperação do País tinha de ter o controlo de todas as receitas e despesas de todos os Ministérios. Impor uma forte austeridade, um rigor em todas as contas e congelamento de salários.

Aceite pela Ditadura Militar tudo quanto exigiu para pôr as contas em dia, Salazar meteu-se ao trabalho, sem antes deixar de acrescentar “O Estado deve ser tão forte que não precise de ser violento”, e para isso as contas em dia são fundamentais.

Em menos de um ano, Salazar, fez o prometido. Portugal até 1974 nunca mais deixou de ter Orçamentos e contas organizadas.

O espanto foi tão grande e os anos seguintes com tão bons resultados, apesar das dificuldades com que ainda se confrontava, que a Ditadura Militar não lhe negava elogios. Só que os derrotados da Primeira República e outros menores reclamavam contra a falta de expressão e de um Parlamento, mesmo que a fome e o caos regressassem; e em Abril de 1931, o General Sousa Dias e outros que estavam exilados na Madeira e nos Açores faz a conhecida Revolta da Madeira, que dure 25 dias até acabar por ser Dominada pelo Governo Dirigido pela Ditadura Militar.

Salazar que, com tantos sacrifícios, estava preparado para o desenvolvimento do País, imediatamente divulga através dos jornais a sua opinião. “As alterações  da ordem pública nos Açores e na Madeira e as agitações subversivas ocorridas no continente causaram despesas importantes no tesouro:

“Q dinheiro gasto bastaria para sustentar 25.000 famílias portuguesas de operários rurais durante um ano.”

É a ignorância, a cupidez e o egoísmo que nos faz cometer erros.

A seriedade, a honestidade, a frontalidade e a inteligência de Salazar conjuntamente com o seu ilimitado amor a Portugal e ao Povo Português são indiscutíveis. Só rameiras e estúpidos preferem que a miséria continuasse a encher os bolsos dos insaciáveis políticos de sarjeta.

Perante os resultados excecionais que o País tinha conseguido nos últimos quatro anos, desde que o Ministro das Finanças tinha entrado em funções, a 5 de julho de 1932, Salazar é convidado a formar Governo.

Imediatamente Salazar avisa para que ninguém se sinta enganado:

“A Ditadura, mesmo considerada apenas como a concentração no Governo do poder de legislar é uma fórmula política, não se pode afirmar que represente a solução duradoura do problema político. Ela é essencialmente uma fórmula transitória.

No próximo Blogue, vamos ver como Salazar, segura as pontas do fio, para Governar sem grande contestação, ao salvar Portugal da bancarrota e ser elogiado em todo o mundo.

Coloque a máscara. O novo vírus rabia mais do que o primeiro e está a deixar preocupados todos os Governantes.

António Costa, pelo sim pelo não, resolveu ficar em Portugal para enfrentar o bicho. Enviou, em sua substituição, o Ministro dos Negócios Estrangeiros para ocupar o seu lugar como Presidente dos 27 países da União Europeia. Gostei. Bicho pequenino ou velhaco ou dançarino. E Costa está mais para todas as cautelas do que para danças.

 

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C.S

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Terça-feira, 29 de Dezembro de 2020

Ditadura Militar. A História mostra-lhe o ser humano

Sem muito esforço, ao ler sobre a História de Portugal, como quem lê um jornal ou um romance, não fica só a saber o que se passou em Portugal desde o século XII até aos nossos dias, como ainda fica, quase, com um curso de sociologia capaz de interagir com todas as classes sociais, sem quaisquer problemas e de nunca ser desagradável ou fazer má figura.

Hoje vamos continuar com a República que terminou com a Revolução de 28 de Maio de 1926 e vai dar origem à Ditadura Militar, assunto a que hoje dedicamos o Blogue.

O General Gomes da Costa Derruba o Governo de António Maria da Silva, e Bernardino Machado e entrega a Presidência a Mendes Cabeçadas.

A 22 de Junho é reconfirmada a Censura à Imprensa. Raul Rego no seu “Diário Político” nota que o movimento operário não teve um único movimento de protesto. O desespero era geral e todos ansiavam que alguém pusesse cobro a tanto desvario, com o qual só os políticos pareciam estar satisfeitos.

Eu lidei muito com Raul Rego, quando fui Deputado, e ele lamentava não ter coragem de escrever a verdade sobre a “escabrosa, criminosa e infantil” Primeira República, segundo as suas próprias palavras.

Mas a Ditadura Militar ainda tinha resquícios da maleita e logo em 27 de Junho, Gomes da Costa entra em conflito com Mendes Cabeçadas, toma-lhe o lugar e fica ele como Presidente, mas por pouco tempo. A 9 de Junho é deposto pelo General Óscar Carmona que escreve o prefácio do livro “A Ditadura Militar” assume-se como fiel Ditador e defensor do povo e explica o porquê no quinto parágrafo do livro;

 “O principio Democrático faliu com a improvisação de Governantes e a burla dos sufrágios que nunca foram o resultado da vontade popular, por ausência absoluta de uma vontade popular em meios sociais de analfabetos.”

A Ditadura teve vários Presidentes do Ministério entre 1926 e 1932: 1º Mendes Cabeçadas, 2º Gomes da Costa, 3º Óscar Carmona, 4º Vicente de Freitas 5º Ivens Ferraz. 6º Domingos Oliveira, que aos excelentes resultados do trabalho do Ministro das Finanças, em consenso com todos os outros governantes, convida Oliveira Salazar para o substituir.

Salazar, como outros civis e militares conceituados, que desde o início da Ditadura foram convidados para ocupar cargos Ministeriais. Cada um apresentava o seu Plano de trabalho, era discutido e aceite ou rejeitado, depois de muito debatido.

Salazar propôs o único Plano de Recuperação do País que ele considerava eficaz para resolver a situação financeira e económica. O assunto foi debatido entre 3 e 19 de Junho de 1926. Salazar manteve-se irredutível. Não havia outra maneira de salvar Portugal. Voltou para Coimbra e não aceitou o lugar.

A Ditadura continuou com outra gente, mas sempre com muitos problemas.

Ainda em 1926 há uma revolta dos militares em Chaves. Em Outubro outro movimento insurrecional

Mas em Fevereiro de 1927, o General Sousa Dias lidera uma violenta revolta da Esquerda Republicana no Porto, seguida de outra em Lisboa dirigida pelo Tenente da Armada, Agatão Lança, contra o Governo que só não o derrubam porque o povo não esteve com eles.

O Governo da Ditadura Militar foi implacável para mostrar que as lutas tinham de terminar. Há centenas de mortos e de feridos.

Os revoltosos que escaparam, são presos e enviados para os Açores, Madeira, Guiné, Cabo Verde e Angola porque em Portugal as prisões ainda estavam superlotadas.

Estas sublevações fizeram que o povo e algumas Instituições, em vez de rejeitar a Ditadura, a aceitasse de braços abertos.

Mas os políticos derrotados pouco se importavam com o sofrimento que o povo tinha experimentado nos 16 anos em que tinha durado a Primeira República. Eles não esqueciam as suas mordomias.

O Governo não dava tréguas a qualquer sinal de revolta. O Governo tinha levado a peito a sua função, só que lhe continuava a faltar dinheiro para governar e socorrer o povo.

Também a partir do estrangeiro se faziam esforços por derrubar o regime ditatorial, nomeadamente de Paris. Nesta cidade francesa, é organizada a Liga de Paris tendo como cabecilha Afonso Costa, que não querendo voltar a Portugal, tudo fazia para lhe provocar dano; mas à sua maléfica e prodigiosa inteligência opôs-se outra ainda superior como veremos no próximo Blogue, com Salazar já no poder depois ter sido empossado como Presidente do Conselho.

Salazar tinha sido Ministro das Finanças desde 27 de Abril de !928. É convidado para Presidente do Conselho em 1932. Em 1933 faz sair a Constituição que automaticamente transforma o Governo em Democrático, segundo as bases do sistema adotado.

Falaremos sobre isso no próximo Blogue e veremos como Salazar procedeu sem ofender e irritar o povo que odiava ouvir falar de Governos Democráticos que lhes tinham provocado imensos sofrimentos.

Coloque a máscara. Não brinque com a sorte. Divirta-se mas não abuse, nem arrisque. Tome sempre muita atenção àquilo que faz.

 

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C.S

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Segunda-feira, 28 de Dezembro de 2020

Final dramático e indigno da Primeira República

Em 1919 para substituir Sidónio Pais foi escolhido o Contra Almirante Canto e Castro. O Governo é Presidido por Tamagnini Barbosa.

A instabilidade contínua, as greves e os motins são em catadupa.

Paiva Couceiro aproveita o caos e implanta a Monarquia no Porto, que dura 23 dias.

O Coronel Thomas Birch, que era Ministro Plenipotenciário Americano, propõe aos Aliados a criação de um protetorado sobre Portugal antes que Portugal acabasse como um Estado falhado.

As greves não param, nem com avisos e ameaças. Os assassinatos e os tumultos aumentam. É criada a Polícia de Segurança do Estado (PSE). Começa a construção do Bairro Social do Arco Cego. Os Governantes da Primeira República nunca souberam  cativar os seus concidadãos embora se preocupassem com eles. Foram sempre acusados de eles próprios não darem o exemplo e se encherem de dinheiro.

Em Julho, devido a mais uma greve dos ferroviários, o Batalhão dos Caminhos-de-ferro, comandado pelo Tenente Coronel, Raul Esteves, substitui os maquinistas. Os comboios circulam com um “vagão fantasma”à frente da locomotiva, carregado de grevistas, vigiados pelos militares armados, para acabar com os descarrilamentos provocados pelos sabotadores.

Neste ano é criada a Confederação Geral do Trabalho (CGT).

O povo acusa o Parlamento. Nas últimas eleições só tinham participado 7% de eleitores.

Canto e Castro recusa ser Presidente da República.

Afonso Costa chega à conclusão que a Democracia não tem condições para resolver os graves problemas que o País atravessa.

Em Dezembro são afastados pelo Governo, os professores da Universidade de Coimbra; Carneiro Pacheco, Oliveira Salazar. Magalhães Colaço e Fezas vital.     

Em 15 de Janeiro de 1920 toma posse como Presidente do Conselho, Francisco José Fernandes Costa. A Formiga Branca está contra e Governo tem curta duração. É o Governo dos cinco minutos.

As bombas, os assaltos, as greves, as prisões arbitrárias são constantes. Os sindicatos da CGT e da USO (União Socialista Operária) preferem o caos e a desordem. Querem o poder nas mãos dos trabalhadores. Mas a maioria da massa trabalhadora é inculta, funciona mais a nível de braço do que de conhecimento.

A casa de lotarias, câmbios e títulos de José Maria do Espírito Santo e Silva passa a Banco, com o nome de Banco Espírito Santo (BES).

A partir deste ano, o Governo autoriza que as Câmaras Municipais, Misericórdias e algumas Associações ponham em circulação cédulas (Que representavam o valor da moeda), a fazer emissões sem a respetiva cobertura em ouro.

A inflação em Portugal é a maior de toda a Europa.

A Legião Vermelha incita à greve e à bomba, são mortos alguns juízes.    

Afonso Costa que não quer regressar a Portugal é nomeado Chefe da Delegação Portuguesa à primeira Assembleia-Geral à Assembleia-Geral da Sociedade das Nações.

Em Dezembro rebentam bombas por todo o lado vitimando mulheres, crianças e os descuidados. Neste ano o Governo muda oito vezes.

Em 1921 piorou. A infâmia e a crueldade atingem o auge.

O Ministro da Marinha e Ultramar, Júlio Martins afirma que a marinha de Guerra não tem um único navio de Guerra capaz de dar um tiro e possui 23 Almirantes.

A 6 de março é fundado o Partido Comunista português. O Jornal Bandeira Vermelha faz a sua apologia e apela à violência. Imediatamente o Juiz Luís Ferreira de Sousa é baleado.

A insegurança é geral. Afonso Costa que, no estrangeiro, garantira que tinha conseguido um empréstimo de 50 milhões de dólares é enganado como uma criança e o Governo que já tinha contado com o ovo no cu da galinha, sem dinheiro, demite-se.

Em Outubro o País enlouquece. A fome, os salários em atraso, as promessas não cumpridas exaltam de tal maneira os ânimos que uma camioneta conduzida por verdadeiros assassinos vão procurar nas suas casas, o Ministro demissionário António Granjo; Machado Santos, José Carlos da Maia, os heróis do 5 de outubro de 1910 e muitos outros e matam-nos com verdadeira barbaridade.

A fome, a ignorância, a revolta e o desespero começavam a desfazer a República.

Gomes da Costa afirma que a República se tinha convertido em propriedade de uma oligarquia de profissionais ambiciosos e insaciáveis.

Em 1922 a Polícia de Segurança do Estado passa a designar-se Polícia de Defesa Social (PDS). 

Sacadura Cabral e Gago Coutinho fazem a primeira viagem aérea do Atlântico Sul, Lisboa-Rio de Janeiro.

Os trabalhadores começam a pedir a Ditadura do Proletariado como os comunistas exigiam. Mas o proletariado, sem estudos, nunca vai muito longe.

Em 1923, cada mês que passa, as greves, os motins. as mortes e as prisões continuam, ainda mais gravosas do que nos anos anteriores.

Henrique de Araújo Sommer edifica uma fábrica de cimentos em Maceira- Liz.    

O trabalho infantil aumenta. Recebiam comida em troca.

A peça de António Ferro “Mar Alto” é censurada e os escritores protestam. Os ataques aos juízes aumentam. António Sérgio e Afonso Lopes Vieira na revista “Homens Livres” tentam juntar a Esquerda e a Direita e propõem uma Ditadura de Salvação Nacional.

O Comunista Carlos Rates defende uma Ditadura só de Esquerda.

Cunha Leal, Ginestal Machado e Júlio Dantas apelam a uma intervenção das Forças Armadas.

Em 1924, a saga continua. Os desacatos são diários e o povo em terrível sofrimento. Conheci dois amigos que tinham nascido em 1919. Sobre um deles escrevi umas páginas num livro publicado, mas tanto um como outro me disseram que até aos 9 anos a maior parte dos dias comeram caldo de ervas e que nunca tinham comido peixe ou carne até essa idade.

Em Março, o Governo amnistia os revoltosos do ano anterior. Era o que sempre acontecia e os revolucionários continuavam sempre a tentar a sorte. Um lugar no Governo, nem que fosse por alguns dias era muito rentável.

Na revista “Seara Nova”, José Rodrigues Migueis declara que a burla das eleições era miserável e que isso levava à situação em que o País se encontrava.

Cancela de Abreu afirma no Parlamento que o País estava entregue a uma quadrilha de ladrões. A CGT secunda a ideia ao afirmar que o Governo de Álvaro de Castro tinha caído por causa dos roubos.

Principia um inquietante toque a finados pela Primeira República. O fim torna-se previsível. Toda a gente está cansada de tanta greve, tantos motins, tanta fome, tantas prisões, tantos roubos e tantas mortes.

Em 1925 milhares de operários são corridos à coronhada e a tirro pela polícia e pela GNR. O saldo cifra-se em alguns mortos e muitos feridos.

Quinze anos de fome, miséria e caos são de enlouquecer.

A 18 de Abril dá-se o Golpe dos Generais. O Governo consegue suster a rebelião. O Ministro da Guerra é demitido ao propor uma conciliação com os revoltosos.

A República está exangue, Todos sabem que está por um fio.

Alves dos Reis aproveita o caos e faz um burla monumental ao conseguir uma duplicação de notas de quinhentos escudos na mesma casa inglesa onde era impresso o dinheiro para o Banco de Portugal.

A liga dos Direitos do Homem protesta contra as deportações sem julgamento. Os juízes andam aterrorizados. Ser juiz passou a ser profissão de alto risco.  

Gomes da Costa contínua a gritar, bem alto: “Portugal tem de reagir para que não o assassinem...é a isto que chegámos...o povo miserável, a Nação em desordem... o exército indisciplinado e esfrangalhado” e acrescenta “Um lugar no Parlamento é para estes Catões a garantia de Gamela bem cheia... a fartura e o regabofe garantidos... é a isto que chegámos ao fim de 15 anos de regime Republicano.

1926 Começa como todos os anteriores, com greves, revoluções e fome.

Mendes cabeçadas convida Gomes da Costa para preparar um Golpe. Ele recusa, mas a ideia fica-lhe na cabeça, vai para Braga, enche-se de coragem e de cautela. Regressa a Lisboa com a certeza de ninguém se opor a uma Revolução feita a valer.

Mendes Cabeçadas forma Governo, mas não tem Parlamento nem Presidente da República. Resolve a situação começando a Governar em Ditadura.

Terminou sem honra nem glória a República Democrática que não deixou saudades. Todos a tentaram esquecer rapidamente, menos aqueles que não sabendo fazer mais nada vivem à custa das Revoluções, das greves e da miséria que elas produzem.

Coloque a máscara. Mesmo com a vacina todo o cuidado é pouco.

 

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C.S

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Domingo, 27 de Dezembro de 2020

República passou a ser sinónimo de desorganização

“Tu julgas que isto é uma República?” Era a frase frequente para significar confusão e desordem.

Em 1916, os assaltos aos armazéns de viveres eram diários. Os comícios dos adversários políticos eram palco de pancadaria pela certa. O Governo é acusado de arranjar empregos só para os seus correligionários. A situação agrava-se e o Governo para salvar as colónias e abrandar a contestação no País pensa entrar na Primeira Grande Guerra, mesmo sem ter armas, nem dinheiro, nem gente preparada para combater.

Como ninguém declara Guerra a Portugal, os Governantes aconselham-se com os Ingleses e estes emprestam dois milhões de Libras para os preparos e dizem para aprisionarmos os barcos alemães que estavam no Tejo. Feito isto, os alemães declaram-nos guerra.

Afonso Costa quer formar um Governo de União Nacional e António José de Almeida constitui o Governo da União sagrada. É decretada a Censura para todas as publicações.

Em Tancos são concentradas as forças destinadas à frente de batalha e são reduzidos os Cursos da Escola de Guerra para fabricarem rapidamente oficiais que iriam fatalmente morrer nos campos de batalha da Flandres (Bélgica, Holanda e uma parte da França)

Em Janeiro são enviados os primeiros contingentes de tropas portuguesas para as zonas de combate, organizadas por Norton de Matos. Partem 37 mil homens no chamado Corpo Expedicionário Português (CEP), que devido à mortalidade ficou conhecido como Carneiros Exportados de Portugal.

Mas em Portugal os assaltos aumentam e as pessoas são espancadas sem dó nem piedade. O pão passa a ser feito com aveia, fava e um pouco de farinha de centeio.

A guerra devastava a Europa e Portugal destruía-se a ele próprio. Afonso Costa era acusado de Tirano e Ditador, mas ele era o mais esperto de todos para arranjar soluções para todos os momentos.

Como as greves e os assaltos não diminuíam, o Governo substitui os operários por soldados e pelos batalhões de voluntários. O povo enfureceu-se e os mortos e feridos são às centenas.

Mas o Governo insiste em Governar. É inaugurado o Instituto Superior de Agronomia na Tapada da Ajuda.

Afonso Costa acaba por ser preso e exilado em França, e recusa voltar a Portugal, apesar de continuar a ser eleito como Deputado.

Em 1918, Sidónio Pais vai tentar a reconstrução de Portugal, mas a degradação é de tal ordem que tudo corre mal.

Em 8 de Janeiro, os marinheiros do Cruzador Vasco da Gama preparam-se para bombardear Lisboa. O Ministro da Marinha envia os revoltosos para as Costas de África.

No Porto rebenta um grave surto de Tifo.

Em Fevereiro a agitação Revolucionária regressa. Sidónio visita todo o País. É recebido com alegria e esperança, Mas os boatos contra Sidónio são muitos. Para agravar a situação, a 9 de Abril de 1918 dá-se a sangrenta batalha de La Lys. A frente de batalha portuguesa é de 12 Quilómetros de extensão. Os combates são violentíssimos. O Regimento de Infantaria 15 de Tomar e o 13 de Vila Real foram quase totalmente dizimados. Num só dia foram mortos 7426 portugueses. De entre os sobreviventes destacou-se o o soldado Aníbal Milhais que agarrado a uma metralhadora e deslocando-se sempre, depois de fazer fogo, fez pensar aos alemães que eram vários atiradores e assim atrasar o sue avanço. Ao chegar ao acampamento, o Comandante, em lágrimas, abraçou-o e disse-lhe: “Tu és Milhais, mas vales milhões”.

Mas em Portugal tudo corre mal. Continuam as greves, a fome não abranda. É restabelecida a Censura. São criados os Celeiros Municipais. Em 27 de Junho o Decreto 4465 determina o recenseamento de todos os indivíduos que não trabalham. Sidónio espalha pelo País a Sopa Económica, cria escolas e cantinas, mas as greves, os assaltos, a fome e a cegueira mental continuam.

O Parlamento é encerrado. Os Deputados não se entendem e são acusados de fomentar a desordem.

Em Setembro a Pneumónica faz uma razia enorme. Os mortos são às centenas.

O caça-minas Augusto de Castilho, na véspera de terminar a Guerra, é metido ao fundo por um submarino alemão, quando foi defender o vapor S. Miguel, cheio de passageiros.

Outubro continua com atos, mais de irracionais do que de seres humanos. Os mortos e os presos são muitos.

São suspensas as garantias constitucionais. Presos que iam ser transferidos para outra cadeia são mortos durante o transporte. É chamada “A leva da Morte”

A 11 de Novembro de 1918 acaba a Primeira Grande Guerra, mas em Portugal os atentados bombistas não param.

Em Dezembro, Sidónio que era adorado pelo povo é assassinado por um ex-sargento que segundo confessou cumpriu ordens do PRP. O homem endoideceu depois de ter compreendido o ato que tinha cometido,

Coloque a máscara. Este combatente com quem o mundo está em guerra, ainda não desistiu de dar batalha. Pense no assunto. Siga todas as regras.

 

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C.S

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Sábado, 26 de Dezembro de 2020

A República soçobra por incapacidade. Siga-a e pense

À Primeira República faltou alguém que soubesse bastante sobre psicologia das multidões.

Homens inteligentes, trabalhadores, querendo ajudar o povo fazem o contrário, porque não lhe sabem falar. Em 16 anos tem 45 Governos que não conseguem evitar a miséria, antes pelo contrário, aumenta muitíssimo por incapacidade dos Governantes em travar os conflitos sociais, como iremos continuar a ver, nesta súmula até terminar os blogues em 28 de Maio de 1926. Os crimes, as lutas partidárias e os erros nunca abrandaram.

Em Janeiro de 1914, os ferroviários começam uma greve que dura mais de dois meses.

Como o comboio era o único meio seguro de viajar e transportar mercadorias, pode imaginar o desfalque que isso provoca em qualquer Governo. Quem sofre? O povo.

Os padres eram acusados de ser os instigadores de todo o mal que acontecia. O assassinato de religiosos era frequente. O único que nunca se preocupou em ser preso foi o Padre Cruz. Assim podia catequizar os outros presos.

Em Maio, os pescadores de Sesimbra entram em greve e a fome aumenta de tal maneira que leva multidões a assaltar os armazéns de víveres.

Sampaio Bruno, Basílio Telles e Machado Santos querem pôr fim à Ditadura Revolucionária de Afonso Costa, mas não conseguem.

Em pleno Verão rebenta a Primeira Grande Guerra que evita, por acaso o esbulho das colónias Portuguesas que já estavam apalavradas entre os nossos amigos ingleses e os alemães. Mas a insubordinação nos quartéis, como por todo o lado é geral.

Neste ano, em Congresso realizado em Tomar é criada a União Nacional do trabalho.

Aparece nas bancas a Revista “Orpheu” que deixa os Governantes ainda mais preocupados. Nela, Fernando Pessoa, Almada Negreiros, Mário de Sá Carneiro, Alfredo Guisado, Armando Côrtes Rodrigues, António Ferro e José Pacheco dizem e fazem o que lhes apetece. O Governo sabe que, com intelectuais a conversa é outra.

A 25 de Janeiro de 1915 o Governo é demitido. Pimenta de Castro vai Governar em Ditadura declarada. Mas ninguém respeita os Governos digam eles que são Ditaduras ou Democracias. Para o povo são todos iguais.

Afonso Costa faz um novo Golpe. Entretanto dá-se o Movimento das Espadas”. Os oficiais sentem-se ofendidos com a maneira como são tratados e vão entregar as suas espadas ao Governo quando o Major João Craveiro Lopes foi demitido por razões políticas. O Governo manda-os prender na fragata Fernando II e Glória. Em sua defesa Machado Santos, o herói da Rotunda, entrega também a sua espada e em breve, o Governo voltava a cair.

Neste meio termo Afonso Costa sofre um atentado, que escapa por uma unha negra. Ele enche-se de coragem e grita que o Governo era formado por insignificantes, presidido por um doido e guiado por um traidor, o Sr. Camacho.

Em Março, Deputados e Senadores são impedidos de entrar em São Bento. Eles não se impressionam. Todos parecem garotos a brincar com o fogo. Vão reunir-se no Palácio da Mitra e declaram o Governo inválido. Camacho chama à reunião um Congresso de Mitra e Gaita.

Coloque a máscara. Como é que o Covid não há-de levar a melhor nos dias de hoje? Antes , a Primeira República vai soçobrando por incapacidade, hoje o mundo contínua nas mãos de indecisos que ainda não compreenderam que a pobreza tem de acabar rapidamente e todo o ser humano tem de trabalhar em conjunto e ser feliz, caso contrário fica nas mãos de um pensamento viral.

É bom recordar que o Universo e tudo o que existe começa por um Vírus do mesmo tamanho e peso, que ao fim de centenas de milhões deu o Universo tal como existe.

Será que o ser humano cansou? Prefere o divertimento imediato a uma vida mais longa e chata? Disso me queixo eu. Se não fosse o trabalho e o prazer do saber total, se calhar também estava misturado com todos aqueles que nunca souberam aproveitar a vida e tirar dela a verdadeira alegria de viver e saborear o conhecimento.

 

Anterior “Desde 1910 até 1912 houve 237 greves”

C.S

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Sexta-feira, 25 de Dezembro de 2020

Desde 1910 até 1912 houve 237 greves

O Ministro da Guerra, Correia Barreto para acabar com os reacionários fez uma depuração no exército e arregimentou alguns tenentes e capitães da esquerda radical, conhecidos pelos Jovens Turcos, que se tornaram temidos pelas suas ações e a delação dos seus camaradas. Os soldados, cabos e sargentos entraram em roda livre. Fizeram escola como informadores.

O Governo recorria a todos os esquemas para poder Governar, mas tudo lhe corria mal, porque o que era mal pensado era sempre mal executado.

Feito o recenseamento do País, a população portuguesa ainda mal chega aos cinco milhões e quinhentos e cinquenta mil habitantes, dos quais 75 por cento são analfabetos.

Na Moita é assassinado o Presidente da Câmara. O Governo Decreta o Estado de Sítio e entrega Lisboa ao Comando Militar entre 30 de Janeiro e 17 de Fevereiro de 1912.

Os sindicalistas são perseguidos com grande ferocidade pelos militares. Mas nas cadeias não cabe mais gente e eles metem-nos nos porões dos navios D. Fernando e Pero de Alenquer.

Chamam-lhes prisões políticas. Mas a política dos contestatários era o preço do pão, da carne, do peixe e do leite.

Os pedintes e os vadios são às centenas. Portugal torna-se numa chaga pestilenta e imunda com pequenas bolsas de gente que vive bem, mas insegura.

A Carris faz uma greve de 29 de Maio a 24 de Junho. Afonso Costa que tinha feito do direito à greve, uma das suas principais bandeiras tem de se opor firmemente contra os Sindicatos. Os grevistas alcunham-no de Racha-Sindicalistas.

O Governo volta-se, de novo para o ensino, mas ao privilegiar a separação dos sexos, rapazes para um lado e raparigas para o outro, aumenta o número de edifícios e o dinheiro não chega para tudo. As raparigas são as sacrificadas. Só os rapazes ficavam obrigados de ir à escola

A partir de 9 de Julho de 1912 a Censura aparece em força. Vários jornais são encerrados e os proprietários presos e deportados.

Sampaio Bruno que dirigia o “Diário da Tarde” é espancado nas ruas do Porto por ter criticado a Ditadura Revolucionária.

É proclamado o Estado de Sítio nos concelhos de Chaves e Montalegre.

A Liberdade Democrática tinha virado Caos. Os Governantes acusavam os jornalistas do que estava a acontecer.

Em 9 de Janeiro de 1913 Afonso Costa é empossado como Presidente do Conselho (Primeiro-Ministro).

O Governo como não tem dinheiro requisita o Tesouro da Sé de Braga. O povo levanta-se em peso e impede o roubo a favor dos desmandos de Lisboa.

O Governador Civil de Lisboa tem então a luminosa ideia de criar uma rede de espiões com informadores e denunciantes, chamada Formiga Branca, para impedir os motins e a contestação do povo. Machado Santos para combater a Formiga Branca, forma uma milícia com o nome de Formigas Pretas.

Mas Afonso Costa, para se proteger tinha uma Guarda Pessoal, os Carrapatas: para seu azar, como não os compensava como queriam, também se voltaram contra ele.

Desesperado resolve pôr as contas do Estado em dia, porque assim conseguiria ter mais facilidade em obter dinheiro. Consegue. Mas para trabalhar em sossego utiliza métodos de autodefesa e terror violentíssimos.

Distraído com as contas dá autorização para que a Duquesa de Bedford visite as cadeias do Aljube. Limoeiro e a Penitenciária. A Duquesa fica horrorizada, mas não diz nada apesar de ter ficado cheia de piolhos, pulgas e outros ácaros. No mês seguinte, em Londres, coloca tudo nos jornais. É o descrédito total nas bocas da Europa.

Em Portugal aumentam os assaltos. Ninguém anda seguro pelas ruas e muito menos nas estradas esburacadas, cheias de lama e água no Inverno e de poeira e assaltantes em todas as estações do ano..

O povo tinha perdido a cabeça.

A 10 de Junho, quando da homenagem a Camões, o maior poeta Português, são lançadas uma série de bombas sobre um cortejo de crianças. Pernas, braços e cabeças espalharam-se por todo o lado. A bestialidade crescia em cada ano que passava. A fome cegava a razão.

Mais uma vez são implementadas as escolas móveis. Mas nada motivava o povo à aprendizagem.

Os Governos tentam acertar. Não conseguem. O mau começo da República, antecipada com a morte do Rei e do princípe, a falta de dinheiro e a divida elevada à Grã-Bretanha e à Alemanha, levou a que as duas conluiadas, decidissem dividir as colónias portuguesas entre elas. A Inglaterra nem se importa que a Espanha anexe Portugal. Mas a Espanha sabe que Portugal, mesmo de rastos é um osso duro de roer.

Coloque a máscara. Eu era e sou contra os ajuntamentos para salvar o 2021. Mas os teimosos insistem no erro. Assim espero que em 2022, todos estejam com mais juízo. O Covid não brinca em serviço.

Aproveite os dias que começam a crescer. Depois do Natal eles dão um salto de pardal. Nada nos dá mais força que o conhecimento; leia, estude, trabalhe. A partir de 2022 divirta-se.

 

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Quinta-feira, 24 de Dezembro de 2020

Greves, Ditadura, Democracia, assim vai a República

Aquilo que tinha sido uma promessa dos Republicanos acabou por ser negado aos cidadãos quando foi eleita a Assembleia Constitucional: o Sufrágio Universal foi tudo menos que universal, assim como a formação de Círculos Uninominais (para aumentar a responsabilidade dos eleitos e o interesse do eleitorado). As eleições foram uma burla monumental.

Das três mulheres que reivindicaram o direito de voto para as mulheres: Ana de Castro Osório, Adelaide Cabete e Carolina Beatriz Ângelo, só a última o conseguiu alegando que era chefe de família por ser viúva. Imediatamente o Parlamento alterou a Lei e, às mulheres, chefes de família ou não, ficavam sempre impedidas de votar.

Desde a implantação da República em 1910 até à Constituição em 19 de Junho de 1911, o Governo Provisório tinha sempre Governado como entendia, a maior parte do tempo em Ditadura. A partir da Constituição voltou a Governar com extremo autoritarismo, mas sempre com muita dificuldade.

Há três Partidos : Democrático (que devia sempre respeitar a vontade do povo); Evolucionista (que acreditava na transformação das ideias); Unionista (aqueles que partilham as mesmas ideias políticas).

Em 2 de Agosto é eleito Presidente da República Manuel de Arriaga, natural da cidade da Horta, Faial.

O Ministério é chefiado por João Chagas.

Columbano Bordalo Pinheiro desenha a nova Bandeira Nacional; Henrique Lopes Mendonça escreve a letra do Hino Nacional, “A Portuguesa” e Alfredo Keil compõe a música.

Para impor a Ordem foram criados os Batalhões de Voluntários para ajudar o Governo sem que o Governo tivesse de lhes pagar. Mas tudo o que é de graça fica muito caro.

Os Batalhões de Voluntários eram uma emanação da Carbonária que o Governo aceitava para impedir as greves e sovar os do Sindicato e todos os que os ajudavam.

Os Batalhões de Voluntários tinham instrução militar nos quartéis, aos domingos de manhã.

Eram especialistas em dar valentes sovas em quem criticasse o Governo. Basílio Telles é barbaramente sovado no Porto e António José de Almeida, também provou em Lisboa, da receita que ele tinha advogado contra a Monarquia.

O Escudo passa a ser a moeda oficial do País em vez do Real.

No Aljube os presos amontoam-se em condições mais que desumanas.

No Parlamento os políticos insultam-se e esmurram-se em vez de procurar a solução para os graves problemas que afligem o País.  

Afonso Costa substitui o Grupo Parlamentar Democrático pelo Partido Republicano Português (PRP) que dirige com mão de ferro.

O PRP era só constituído por familiares, amigos e partidários de Afonso Costa. Um dos seus suportes era o Jornal “O Mundo” que continuava a destilar ódio e a denunciar os que não estavam com o PRP. Os militantes ocupavam os melhores lugares na Administração Pública e outros rentáveis empregos como acontecia com os familiares do Afonso Costa e dele próprio.

Os dirigentes sindicais acusados pela agitação em que o País vivia eram perseguidos, presos e, muitas vezes, enviados para as colónias. Mas as greves não paravam e as bombas também não.

Lisboa torna-se um inferno. A fome e o desemprego aumenta todos os dias porque todos os dias fecham fábricas onde os operários passavam o tempo a discutir os seus direitos e se esqueciam dos deveres e de trabalhar.

A Europa despreza-nos.

Coloque a máscara. A procissão ainda vai no Adro e o novo Covid está de olho atento ao mínimo descuido. Cumpra as regras. Evite estar muito tempo na cozinha, beijos e abraços, mantenha as distâncias. Seja inteligente.

 

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C.S

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Quarta-feira, 23 de Dezembro de 2020

Entre a ignorância, as greves e o ensino

Desde o início a Primeira República foi sempre um amontoado de boas ideias, boas intenções, e erros escusados por falta de ponderação.

O Governo, para conquistar o povo prometia tudo, desde o bacalhau a pataco, a liberdade total e greves à vontade dos trabalhadores.

A União Geral dos trabalhadores do Porto, cujos associados eram anarco sindicalistas predispuseram-se a enfrentar o Governo sempre que as reivindicações dos trabalhadores não fossem atendidas.

O anarquismo esquerdista tinha sido fundado pelo russo Mikhail Bakunin que advogava a destruição do capitalismo pela violência.

A partir de Novembro há sucessivas manifestações de estudantes, seguidas de greves.

O Governo, primeiro contemporiza e a seguir manda prender todos aqueles que incitavam à greve.

Dão-se violentos confrontos entre as forças da Ordem e os civis que reivindicam os seus direitos.

Seguem-se greves das companhias de Gás e Eletricidade.

O Governo faz sair um Decreto para terminar com as paralisações que prejudicavam todo o povo. Os grevistas classificam a imposição como um Decreto-Burla. Pois proibia o que antes tinham permitido como sendo um sinal de total liberdade.

O clima de terror era evidente, a que juntavam a falta de alimentos.

Em Janeiro de 1911 são assaltadas e destruídas as redações dos jornais mais moderados: “Correio da Manhã”, “Liberal” e “Diário Ilustrado”.

As greves dos ferroviários são constantes. Os trabalhadores incitados pelo Sindicato Anarquista acabam por ficar sem trabalho tal como aconteceu na fábrica de lanifícios de Alenquer, ao ser encerrada por se recusarem a trabalhar.

Os batalhões de voluntários da República e os Carbonários formam comissões de vigilância para defender o Governo, parar as greves e obrigar os trabalhadores a trabalhar.

Os Governantes tentam suster a loucura. Já não conseguem. Tinham feito demasiadas promessas, que não conseguiam cumprir.

Os preços começam a subir, o desemprego é enorme. A escassez de alimentos é cada vez maior. Os assaltos às lojas são diários. A insegurança é total.

Para agravar a situação aparece um surto de Febre Tifoide.

Mas o Governo tenta fazer o melhor. Em Fevereiro é criado o Registo Civil obrigatório, e, como sabe que a ignorância é que impede o entendimento, coloca João de Barros como Diretor- Geral da Instrução Primária, com todos os meios e incentivos para fazer vingar o ensino.

Em Abril, João de Deus Ramos inaugura o Jardim Escola João de Deus em Coimbra. Raul Lino dará forma aos edifícios.

Com o apoio de João de Barros, eles vão espalhar-se por todo o País.

João de Deus Ramos publica com João de Barros a Reforma da Instrução Primária, desenvolvem a Associação de escolas Móveis, que já vinha do Regime anterior, que toma o nome de Associação de Escolas Móveis, Bibliotecas ambulantes e Jardins Escolas.

Até ao fim da Primeira República serão criados Jardins Escolas João de Deus em Alcobaça, Figueira da Foz, Lisboa e o Museu João de Deus.

O exemplo de João de Deus Ramos é sintomático. Ele trabalha ainda no Regime Monárquico e continua na Primeira e Segunda República (Estado Novo) sem mudar a sua política a bem do conhecimento e desenvolvimento das capacidades intelectuais e humanas dos seus compatriotas.

Em três Regimes diferentes nenhum Governo o impediu que continuasse o seu trabalho.

Os Governos só não prestam quando os Governantes têm medo de Governar e cedem à demagogia dos incompetentes, dos invejosos, dos intriguistas e dos ingratos.

Coloque a máscara. Não arrisque nem ceda a pressões. O mundo está na corda bamba. O familiar inglês do Covid 19 é mais devastador e perigoso. Seja prudente. Proteja-se a si e aos outros. Não facilite. Guarde as visitas e as festas para os próximos Natais e fins-de-ano.

 

Anterior “Proclamações, promessas, perseguições e greves”

C.S

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Terça-feira, 22 de Dezembro de 2020

Proclamações, promessas, perseguições e greves

A 5 de Outubro de 1910, logo após a Revolução é constituído o Governo Provisório, Presidido por Teófilo de Braga, natural dos Açores. No Governo salienta-se Afonso Costa, António José de Almeida, Bernardino Machado, José Relvas, que da varanda da Câmara Municipal de Lisboa tinha proclamado a República e Brito Camacho.

O Governo imediatamente promoveu todos os militares que tinham participado na Revolução. Era a maneira de lhes garantirem a fidelidade e sentirem as costas quentes. A seguir Decreta a Lei da separação da Igreja do Estado, a Lei do Divórcio, a Lei da Família e a Lei do Inquilinato. Termina os feriados religiosos e o Natal passa a chamar-se “Dia da Família”.

Declara que as Igrejas e todos os seus bens passam a ser propriedade do Estado.

Afonso Costa manda prender padres, desterra Bispos, fecha Conventos e proíbe o ensino da doutrina cristã nas Escolas.

Por outro lado promete a diminuição dos bens de consumo que raramente ou nunca conseguiu. A grande maioria aumentou. Por esse motivo os Talassas (nome dado aos monárquicos) começaram a dar vivas ao Rei. Para os calar o Governo meteu-os no Forte de Caxias, no Limoeiro, no Arsenal da Marinha que depressa ficaram atulhados de presos.

O Governo, julgando que se benzia, liberaliza o direito à greve e declara a Liberdade de Imprensa. Imediatamente os jornais “O Trabalhador” “O Petardo”, “O Mundo” e outros incitam à violência contra todos os que não comungassem as ideias Republicanas.

O povo ignorante e vadio e os Carbonários aproveitam a ocasião para sovar a Guarda Municipal e a Polícia.

O Governador Civil, Eusébio Leão, tenta desesperadamente salvaguardar a Ordem. Não consegue. O Jorhal “O Mundo” dirigido por França Borges, destila tanto ódio que ninguém acata o bom-senso.

O jornal “A República Portuguesa” advoga uma Ditadura Revolucionária, enquanto os ânimos não serenassem.

Entre os defensores desta ideia estavam Francisco Pulido Valente, Alfredo Pimenta, Manuel Bravo e Tomás da Fonseca.

Com os jornais a destilar ódio e a possibilidade de fazer greves, o País virou caos.

Nos próximos episódios veremos porque esta Primeira República só durou 16 anos.

Coloque a máscara. A Ministra não tem culpa dos infetados. Os culpados são todos os tolos que não cumprem regras simples. O exemplo está no que aconteceu em Inglaterra. Primeiro continuaram com a farra e a folia. Agora choram baba e ranho, mas já infetaram parte do mundo com o Novo Covid que se está borrando para o nuclear e para as grandes potências.

Deixemos de conversas. Ponha a máscara.

 

Anterior “Primeira República - 5 de Outubro de 1910”

C.S

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