Segunda-feira, 4 de Janeiro de 2021

Marcello doente cedeu à irresponsabilidade

Marcello também quis experimentar a Democracia Representativa e fez cedências que imediatamente tiveram consequências.

Os Comunistas levantaram de imediato a cabeça. Em Outubro 1970 colocam uma bomba a bordo do navio Cunene, com graves repercussões usando a Associação Revolucionária Armada (ARA).

Em Novembro, as Brigadas Revolucionária, destroem o Comando de Base da Norte Pombal Armeiro e uma bateria em Santo António da Charneca.

Em Julho de 1971, 60 Deputados exigem um regime de Liberdade de Expressão, como se alguém lhes tapasse a boca. Havia a Censura para os Jornais, tal como tinha havido durante, grande parte da Primeira República, mas os livros nunca iam à censura, a menos que houvesse queixas de alguém sobre o conteúdo dos mesmos. Eu fiz isso desde 1960, ainda no Regime liderado por Salazar. Cortavam-me os artigos de Jornal, passei a escrever livros e a dizer tudo o que entendi sem me preocupar com o lápis Azul. Isso pode ser verificado no livro “Tu cá, Tu lá”, publicado em 1961, que está aberto na Internet em C.S.

Em Janeiro de 1972, a ARA destrói material de Guerra, armazenado no Cais de Alcântara.

Em Julho, as Brigadas Revolucionárias destroem 15 camiões do exército.

A 30 de Dezembro, um grupo de católicos ocupa a Capela do Rato e aprova uma moção contra a Guerra Colonial.

Mas Marcello, querendo ser mais papista que o Papa contínua com as conversas em família chamando a atenção para a pressa em descolonizar países sem quadros, sem dirigentes capazes de conduzir os novos Estados e a indiferença perante a ocupação da Checoslováquia pela mesma URSS que financiava os Partidos Comunistas para desestabilizar outros países tornando-os independentes na miséria e nas lutas, entre eles, que imediatamente se seguiriam.

Mas ninguém ouve Marcello. Portugal atravessava um período de prosperidade. Na Primavera Marcelista, a melhoria Social era evidente com a atribuição de pensões aos trabalhadores rurais e às profissões mais modestas,

Mas em Julho de 1973, Marcello é recebido com hostilidade em Londres, Soares é acusado de incendiar os ânimos e Marcello, já adoentado, pede a exoneração do cargo, de Primeiro-Ministro, ao complacente e bondoso Presidente da República, Américo Thomaz, que recusa.

A 23 de Fevereiro de 1974, Spínola publica o livro “Portugal e o Futuro” onde advoga a adesão à CEE, o fim da Guerra do Ultramar e a constituição de uma Federação de Estados.

A 16 de Março de 1974 os militares das Caldas fizeram um levantamento por causa do Decreto 353/73 e a progressão nas carreiras e vencimentos, Marcello chamou Spínola e Costa Gomes e avisa-os que, se houver outro levantamento de Militares lhes entrega o Governo. Foi o que aconteceu ao dar-se o 25 de Abril. Marcello em vez de ir para Monsanto, como o que estava estipulado em situações idênticas, foi para o Quartel do Carmo; mandou chamar Spínola e entregou-lhe o Governo, por mais que Spínola insistisse em não o querer aceitar.

Depois de exilado no Brasil escreveu-me a agradecer eu tê-lo defendido no semanário “A Província”.

Alguém lhe enviou o Jornal e a minha direção. A partir daí trocámos correspondência de que só sobraram duas cartas. Os outros escritos foram mastigados ou colados pelas águas do rio Nabão que também me deixaram quase sem vintém.

Numa das cartas, perante a minha insistência em querer saber o porquê daquela entrega sem garantias de sucesso, depois de ter feito um mandato que agradou à maioria da população, Marcello responde no fim da carta:    

“...Foi isso que me permitiu aguentar cinco anos e meio o Regime e fazer um esforço para salvar o que fosse possível no meio da cegueira dos políticos, da recusa de colaboração dos adversários ou dos reticentes, do egoísmo dos capitalistas, da estupidez da alta burguesia, das ilusões dos intelectuais irresponsáveis, da manobra da Igreja preocupada em não perder algum comboio vindouro e a braços com o problema Ultramarino que no País a Direita se recusava a compreender da única forma possível e que a ONU não deixava resolver pela única maneira que seria admissível...”

Coloque a máscara. Não podemos continuar a chorar sobre o leite derramado.

Vamos saber o que aconteceu nos próximos Blogues e deitar mãos ao trabalho e à recuperação de Portugal. António Costa , Centeno e João Leão agradecem, e os Portugueses merecem ser felizes se utilizarem a inteligência e rejeitarem a Demagogia e as falinhas mansas dos demagogos.

 

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C.S

publicado por regalias às 13:27
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