Sexta-feira, 8 de Janeiro de 2021

25 Abril Estranha revolução esta que desilude e humilha

As palavras de Miguel Torga que titulam o Blogue, mostram bem o sentimento de 80% dos Portugueses que em 1986 ficam a saber que o “heroico” capitão do 25 de Abril, o  General graduado, Otelo Saraiva de Carvalho, Comandante do COPCON, a força que mais poderes tinha depois do golpe vitorioso, era também capitão de um bando de assassinos que ceifou a vida a 18 inocentes e fez 66 atentados à bomba e 99 assaltos a bancos.

Durante anos, muita gente tentou chamar a atenção para o que estava a suceder, mas militares e políticos não ouviam ninguém, quase todos mais preocupados em defender os seus interesses do que o bem de Portugal e dos Portugueses.

A violência verbal espalha-se por todo o País. A insegurança é geral.

Em breve aparecem divisões no seio do Conselho da Revolução. Melo Antunes, que tinha sido considerado por Spínola, o maior traidor a Portugal, prepara o chamado Documento dos nove para evitar a guerra civil que ele, estando ao lado dos Comunistas, mas também dos Conservadores, o pai tinha sido um dos Comandantes da Legião Portuguesa, conseguiu que os seus camaradas militares estivessem de acordo com uma plataforma de entendimento que evitasse o confronto militar. Mas em 19 de Julho de 1975, os Comunistas atacam o Patriarcado, no Campo de Santana,

A 14 de Agosto são saneados 24 Jornalistas do Diário de Notícias, escolhidos a dedo por Saramago, mas encolhe a mão. Comunista que se preza, nega sempre tudo o que faz de mal.

Vasco Gonçalves continuava a tentar incendiar o País, ao que o Almirante respondia com “O povo é sereno” e que o Comunista Carlos Rates, na Primeira República tinha rotulado, por outras palavras: “o povo faz tudo o que lhe mandam”, ele, quando Salazar foi para o Governo, também largou o Comunismo e passou-se para o Estado Novo.

Portugal, quanto a mim, é um País de anarcas especiais: gostam da Ordem e de alguém que lhes imponha regras. Se não impõem, cada um faz o que quer.   

Para o resto do Mundo. Em 1974-1975, Portugal, não passava de um Manicómio em autogestão.

A Rádio Renascença tinha sido ocupada por inconscientes e bolsava o que lhes vinha à cabeça.

O Depósito de Material de Guerra de Beirolas estava à mercê dos revolucionários profissionais. Os desacatos continuam. Ninguém acredita em ninguém, nem respeita seja quem for. A Liberdade transformou-se em Libertinagem. A 25 de Setembro, os SUV (Soldados Unidos vencerão), fazem uma manifestação em Lisboa, que não resulta num banho de sangue, por simples acaso.

Neste mesmo dia dá-se a Independência de Moçambique e a infelicidade de um povo que era feliz e extraordinário.

A 27 a Embaixada de Espanha é assaltada, saqueada e incendiada por militantes da UDP, hoje Bloco de Esquerda e comunistas. A Pesada Herança, que Salazar e Caetano, tanto preservaram, para desenvolver Portugal, serviu para pagar uma fortuna a Espanha pelos estragos causados.

O Governo manda os paraquedistas ocupar e destruir as instalações da Rádio Renascença devido ao incitamento dos locutores, à violência.

A 12 e 13 de Novembro a Assembleia Constituinte é cercada por operários da Construção Civil, orientados pelo Partido Comunista, o único que foi sempre alimentado, enquanto que os outros Deputados se esvaiam à fome.

A 20 de Novembro, o Governo declara-se incapaz de Governar e Pinheiro de Azevedo também não lhes vale.

A 22 de Novembro, 170 recrutas do Ralis com autorização do ambíguo CEME, Carlos Fabião faz um juramento de aceitação à disciplina revolucionária.

Os paraquedistas de Tancos ocupam as bases aéreas de Monte Real e do Montijo. A polícia Militar, o Ralis e os Militantes da FUP (Frente de Unidade Revolucionária) composta pelo FSP, Luar, MES e PRP, garantem-lhes todo o apoio.

É chamado a Belém o Coronel Jaime Neves, que recusa ficar sob as Ordens de Otelo Saraiva de Carvalho, mas pronto a enfrentar os revoltosos. Imediatamente é instalado um comando operacional no Regimento de Comandos da Amadora, dirigido pelo Tenente Coronel Ramalho Eanes.

Na primeira ação contra a polícia militar, ao não acatar a ordem para se render, os portões do quartel são arrombados com os carros de combate. Há vários mortos e feridos e os valentes rendem-se. A partir daí todos os revolucionários ao saberem que Jaime Neves ia atacar, se rendiam.

O 25 de Novembro modificou a estratégia de Álvaro Cunhal que tinha sido Aconselhado por Melo Antunes a não fazer muitas ondas.

A 2 de Dezembro de 1975 são nacionalizadas as rádios e a Televisão para acabar com o incitamento à violência. Cunhal deixou aí alguns dos seus sequazes, sem dar nas vistas.

Mas a 31 de Marco de 1976 o PCP volta a promover manifestações a favor da Reforma Agrária e o incitamento à ocupação de mais terras.

Em 1976 é eleita a Assembleia Legislativa, onde eu também fui Deputado à força, mas ainda bem porque aí compreendi melhor as palavras de Miguel Torga e a sua enorme desilusão e tristeza pelo que estava a suceder.

Em 1977, Medina Carreira, Ministro das Finanças, lança o alarme, a Pesada Herança estava a esgotar-se e o País está em situação económica desastrosa. Aquilo que Marcello Caetano, tinha pensado, que mesmo que a Revolução do 25 de Abril gastasse muito, teria sempre dinheiro suficiente para dez anos. A Previsão tinha durado pouco mais que dois anos.

Os anos correm depressa e eu não me alongarei muito mais. Todos podem compulsar jornais, livros e revistas portuguesas e estrangeiras onde os comentários são bem mais contundentes em avisos sobre o que pode acontecer a Portugal.

Em entrevista ao Jornal i de 3 de Março de 2012, John Perkins, que tinha sido Consultor, durante dez anos a convencer países a comprar o que não deviam, resolveu revelar ao mundo o que se passa nos bastidores financeiros. Em Portugal tem um livro editado pela Pergaminho intitulado “Um Mercenário Económico...”

Mas a entrevista no i saiu titulada: John Perkins. “Portugal está a ser assassinado, como muitos países do Terceiro Mundo já foram”.

Desde essa data fiquei preocupado mas sempre na esperança que os políticos portugueses entendessem a mensagem e não deixassem resvalar a dívida externa para níveis incomportáveis.  

Coloque a máscara. Acredito que os vírus que têm atacado Portugal não são suficientes para destruir os Portugueses, mas para isso temos de voltar a trabalhar muito, como fizemos durante o Estado Novo e não perdemos tempo com conversas de capoeira e ataques de galinheiro sem interesse como se fossem brincadeiras de garotos inconscientes e indiferentes ao que pode suceder a um País que tem mais que idade para ter juízo.

 

Anterior “PREC cresce depois de renúncia do General Spínola”

C.S

publicado por regalias às 11:53
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