Quarta-feira, 29 de Janeiro de 2014

A 28 de Maio de 1926 acaba a Primeira República

Em Outubro de 1925, Gomes da Costa escreve no jornal “A Época”:

“Um lugar no Parlamento é para estes Catões (Catão, tribuno romano de grande eloquência) garantia de gamela bem cheia, a fartura e o regabofe garantidos…é a isto que chegámos ao fim de 16 anos de regime republicano!”.

Os conspiradores dos Golpes militares são julgados e absolvidos.

A 18 de Dezembro, António Maria da Silva forma o quadragésimo quinto Governo.

O Presidente da República, Teixeira Gomes, demite-se. É eleito, mais uma vez, Bernardino Machado.

As prisões e deportações de inúmeros sindicalistas continuam.

O ano de 1926 começa com uma greve académica.

Em 1 de Fevereiro, Martins Júnior e Lacerda de Almeida fazem mais um Golpe, desta vez em Vendas Novas. Prendem os oficiais e, com o regimento comandado por sargentos, dirigem-se para Almada, ocupam o forte e disparam sobre Lisboa. O Governo responde com dureza. Eles acabam por se render.

Depois deste Golpe, Mendes Cabeçadas convida Gomes da Costa a preparar um Golpe que acabe, de uma vez por todas, com estas insurreições que destabilizam a vida do país e sacrificam sempre o povo. Mas Gomes da Costa recusa encabeçar um movimento revolucionário.

Cunha Leal, a 26 de Abril, incita o exército a salvar a República e acusa Afonso Costa e o Partido Democrático de terem levado o país ao estado calamitoso em que se encontrava. Chama aos políticos verdadeiros parasitas.

Em 1 de Maio o Parlamento é invadido por turbas de populares esfomeados e enfurecidos que aterrorizam os Deputados, os insultam de modo baixo e sórdido, e os acusam de serem os grandes culpados de tudo o que acontecia em Portugal.

A 3 de Maio a polícia desmantela uma tentativa de implantar o bolchevismo.

O Governo não arrisca entregar a chefia do Estado a Comunistas. Mas o Governo quer entregar o Governo a alguém ou a alguma força desde que lhe ofereçam um mínimo de confiança.

O Povo, os intelectuais e muitos políticos apelam ao exército para que intervenha eficazmente e ponha cobro ao descalabro em que o país se encontrava.

A 25 de Maio, o General Gomes da Costa, com o conhecimento de todos, aceita encabeçar o Golpe final contra o Governo e contra a delirante, caótica e desgraçada Primeira República.

A 28 de Maio de 1926 começa o movimento.

Mendes Cabeçadas manda encerrar o Congresso. O Parlamento é acusado de ser o fomentador de todos os desacatos e os Partidos apontados como o grande mal.

O Povo tinha sido sempre o grande sacrificado. O país era um campo de ruinas só ligado pelo caminho-de-ferro. As estradas, intransitáveis, estavam infestadas de mendigos e de ladrões.

A primeira República foi considerada o regime Parlamentar mais instável e mais lamentável da Europa.

A Primeira República (1910-1926) caiu sem um mínimo gesto de resistência.

C.S

publicado por regalias às 09:41
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