Terça-feira, 22 de Setembro de 2015

A ralé político-militar enrolou Portugal numa mortalha

Nada melhor do que um tempo de eleições para recordar, nestes dias, como foi o desfazer de Portugal de todas as glórias e de toda a economia que desde 1974 bate no fundo e afoga, ano a ano, o povo.

Em 1974 Portugal era um País pujante apesar da Guerra do Ultramar. A nossa economia era florescente. A integração nos mercados livres que despontavam na Europa fazia de Portugal um País promissor, de cofres cheios, desenvolvido e em franco crescimento.

A revolução dos cravos, rapidamente murchos, por imbecis, por traidores e por oportunistas atirou com Portugal para o desespero.

Durante algum tempo almocei no Restaurante Mónaco. Tinham-me encomendado um pequeno trabalho e senti que aquela zona à beira-mar me soltava o pensamento. A escrita saía fluente.

Quem ali almoçava todos os dias com a mulher era o Dr. Adelino da Palma Carlos que tinha sido durante quase dois meses Primeiro-Ministro do Primeiro Governo depois da revolução.

O Shegundo Galarza, de vez em quando aparecia lá e encontrei com ele, o Meia-Leca, um dos estudantes mais engraçados e que toda a Academia conhecia. Eles estavam em amena cavaqueira. Apresentou-me o Shegundo Galarza e, para abreviar a narrativa, foi ele que me apresentou ao Dr. Palma Carlos.

Um dia em que ele estava sozinho perguntei-lhe por que tinha deixado o Governo numa altura em que tudo era complicado.

- Complicado? Nem lhe passa pela cabeça! – Disse ele afogueado – e continuou: cheguei à conclusão que não tinha qualquer poder e que só através de um referendo Constitucional que desse a possibilidade de concentrar os poderes presidencial e Governamental seria possível travar todos os desmandos que levariam o país ao caos e à ruina.

- Mas o senhor tinha lá ministros como o Mário Soares, o Álvaro Cunhal, o Pereira de Moura, o Almeida Santos, o Sá Carneiro.

- Pois tinha. Alguns deles conluiados com os militares faziam-me a vida num inferno e exigências próprias de gente manobrada diretamente do estrangeiro e cuja finalidade primeira era fomentar o caos através da pior ralé que existe em Portugal e em seguida fazer precisamente o contrário daquilo que tinha sido prometido ao povo português. O Spínola havia dias que já não dizia coisa com coisa. Quando saí, escolheu o Vasco Gonçalves que até aí parecia um sonso moderado e que depois deu naquele maluco que não colocou o país em guerra civil porque não calhou.

Um dia conto-lhe em pormenor tudo que passei. Mas tenho de pensar maduramente se o devo fazer. O relato é do pior e do mais sórdido por que um Primeiro-Ministro alguma vez passou. A continuar como vamos, Portugal acabou como país independente. Está enrolado numa mortalha.

A continuar I.

C.S

publicado por regalias às 06:46
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