Domingo, 24 de Maio de 2015

As facilidades raramente criaram génios ou riqueza

O jornal “Público “ ao editar em fac-simile a revista “Orpheu”, como outras publicações, mas esta com maior potência de lucro e de interesse, mostra que está determinado a não fechar as portas e singrar não perdendo a qualidade.

Muitas vezes as facilidades que os acionistas concedem às empresas são causa do seu próprio insucesso.

Quando aqui há três ou quatro anos, Belmiro de Azevedo ameaçou fechar a torneira que pingava milhões, mostrou que estava decidido a cumprir a promessa, imediatamente o grupo percebeu o perigo. Resolveu colocar os neurónios em funcionamento para garantir o sustento.

As facilidades concedidas por Belmiro proporcionaram um jornal bem feito, de conteúdo louvável e aproveitável por gente que entende o que ali se diz. A maioria rejeita, prefere a coscuvilhice, a intriga sórdida e duvidosa, os escândalos.

Ao publicar a revista Orpheu, o “Público” mostra o desassombro, a inteligência, o desafio das conveniências, o salto para o futuro dessa interessante e corajosa revista que hoje em dia, para além de todas as qualidades, que na época não foram apreciadas, os apoiantes e os contestatários sobre o Acordo Ortográfico podem também deliciar-se e compreender melhor como a língua evoluiu.

A revista Orpheu pelo arrojo e vanguardismo que a atira para os nossos tempos é o ar fresco que dá esperança aos portugueses ao verificarem que, mesmo acusados de loucura, a casta lusitana é de boa cepa e resolve as dificuldades.

O prazer da vida está aqui: em resolver o que é difícil e complicado. Tudo o que é fácil não tem paladar.

Os de 1915 não compreenderam os génios. Riram-se deles, gozaram-nos, criticaram-nos e, como normalmente os que pensam muito e escrevem dão-se mal com o metal sonante, a revista não passou do segundo número, apesar de ter esgotado.

Em 1917 saiu o “Portugal Futurista” para dar continuidade à genialidade do Orpheu. Aconteceu-lhe pior, a democrática Primeira República mandou-a apreender.

Mas força de um Fernando Pessoa, de um Mário de Sá-Carneiro, de um Santa Rita Pintor, de um Almada Negreiros era tanta que mesmo com tantas convulsões e tantos problemas para resolver, eles se sobrepuseram ao tempo e Portugal continuará pela eternidade porque na Casa Lusitana todos estão habituados às dificuldades e dá muito gozo vencê-las.

C.S

publicado por regalias às 06:20
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