Segunda-feira, 26 de Janeiro de 2015

Cante alentejano é um hino à solidariedade

De todas as regiões do País, o Alentejo foi sempre aquela que mais carinho mereceu de todos os portugueses.

Salazar batizou-o de celeiro de Portugal. As campanhas do trigo e do centeio encheram as tulhas e o Alentejo contribuiu grandemente para a recuperação de Portugal depois de ter saído da desgraçada Primeira República, 1910-1926, em que a fome foi um flagelo devastador.

Portugal que era um país sem crédito teve no Alentejo uma das suas fontes de financiamento e de trabalho. Salazar quando da compra do navio Gonçalo Velho não se inibe de o declarar ao dizer a propósito deste evento: “Nós não teríamos ouro para pagamento imediato da nova esquadra se pelas campinas não houvessem lourejado, abundantes, as searas.”

É fundamental em cada época e segundo as circunstâncias saber tirar partido das capacidades e qualidades do povo português.

O Cante Alentejano ao ser reconhecido Património Cultural imaterial da Humanidade pode levar a todo o mundo um exemplo e uma mensagem de solidariedade.

Saber tirar da inteligência a resolução dos graves problemas é o desafio que se oferece ao ser humano. Os alentejanos fizeram-no.

Sem necessidade de qualquer instrumento, tirando partido da ideia e da voz, o alentejano fala do trabalho, dos dias que passam, os apelos, os desabafos sem lamentações ou choradeiras deprimentes.

O Cante Alentejano conseguiu dar ânimo, coragem e força para enfrentar todas as adversidades, mesmo quando o calor inclemente torra tudo à sua volta menos a vontade do Alentejano.

Até na comida o alentejano soube sempre tirar partido do pão e das ervas quando o tempo e as dificuldades os causticavam.

As açordas alentejanas são pratos divinais e feitas com uma simplicidade capaz de deixar de boca aberta os maiores cozinheiros do mundo e todos aqueles que chorando a fome não sabem aproveitar o pouco que a terra lhes oferece.

Quando em 1988 andei pela Europa a tentar compreender o papel das nossas embaixadas e a publicar no semanário “A Província” as entrevistas feitas aos embaixadores, na Bélgica encontrei um grande número de Alentejanos que se juntavam nas coletividades para acamaradar e fazer naqueles locais uns almoços que lhes matavam as saudades do Alentejo. Numa delas, a que eu tive pena de não poder de assistir porque tinha combinado almoçar e entrevistar o embaixador, eles estavam a preparar pezinhos de coentrada e sopa de tomate pois ia lá o Deputado José Ribeiro e Castro que eles adoravam pois era o único que os ouvia, lhes resolvia alguns problemas e gostava de acamaradar.

Ontem o Cante Alentejano foi ouvido no Centro Cultural de Belém. Tenho a certeza que Portugal encontrou nesta gente simples e de coração aberto os novos embaixadores de Portugal no mundo.

C.S

publicado por regalias às 05:54
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