Quinta-feira, 26 de Novembro de 2015

Costa, Catarina, Jerónimo e Heloísa na história

A curiosidade é uma das qualidades dos portugueses.

Na noite das Legislativas, em que o António pôs tudo em reboliço, achei graça à desfaçatez e à-vontade com que o Costa manipulou o desastre.

Passei várias horas a imaginar como ele poderia reverter e sustentar o resultado.

Não me preocupei com a alegria dos companheiros que antes tinha derrotado, depois de lhes ter minimizado as vitórias eleitorais e que agora o viam na mó debaixo e humilhado pelo insucesso nas legislativas.

O Costa, pensei para mim, vai arranjar um meio de sair por cima e, apesar de me divertir com o assunto, para não ficar desesperado com a situação, fui lendo tudo quanto saía sobre a luta, a tradição e a ilegitimidade da solução e, quando me convenci que meter no baralho o Partido Comunista e o Bloco de Esquerda, além de ser algo inesperado e diferente podia ser a solução e o exemplo para toda a Europa e para o mundo de como Partidos de paladares tão diferentes e sujeitos a azeites inesperados podiam Governar este país com fama de ingovernável, mas que aceita quem lhe propõe consensos inovadoras e possíveis de concretizar, fiquei mais calmo.

Já estava farto de em quarenta anos mastigar sempre o mesmo.

Lembrei-me de D. João V que depois de ouvir um raspanete do seu confessor por ter muitas amigas quando tinha a rainha que o amava e desejava, o rei não respondeu, mas ordenou ao cozinheiro que a partir daquele dia servisse sempre galinha ao tonsurado.

Ao fim de um mês, o homem já deitava galinha pelos olhos e queixou-se ao rei que o cozinheiro não lhe servia outra comida senão galinha, ao que D. João V lhe respondeu: já compreendeu, padre, nem sempre galinha nem sempre rainha.

Também eu já deitava pelos olhos a mistela sonsa, de democracia serôdia, cheia de burocracias e sem qualquer horizonte.

É verdade que o Partido Comunista e o Bloco nunca ofereceram garantias de coisíssima nenhuma, mas podem mudar radicalmente, serem capazes de, com o Costa, dar outra alma a Portugal sem que para isso provoquem a fúria e o castigo da União Europeia a quem estamos anilhados.

Acredito francamente que usando a inteligência e o bom senso conseguirão surpreender os mais descrentes, como eu, e fazer sair Portugal da confusão onde está metido.

Arrisco tudo para ver. Eu, que nem sou curioso, estou cheio de curiosidade e fazendo força para que o Costa, o Jerónimo, a Catarina e a Heloísa fiquem na história por terem colocado Portugal na órbita do progresso.

O ser humano unido, tenha ele as diferenças ideológicas que tiver, é o cerne da liberdade, fraternidade e igualdade.

 

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C.S

publicado por regalias às 06:31
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