Quinta-feira, 26 de Julho de 2018

CP à beira de um grave acidente

Sem dúvida que viajar de comboio é o meio mais agradável, seguro e ecológico que existe.

Sempre preferi o comboio a qualquer outro meio de transporte apesar de ter de utilizar o avião quando a rapidez e a distância a isso obrigam.

Essa necessidade teve consequências. Já lá vão uns bem contados sessenta anos.

Estava de férias, trabalhava no SNI, na secção dirigida pelo senhor Pereira Forjaz e de que era Diretor um homem extremamente bom e de grande cultura e simplicidade, o engenheiro Álvaro Roquete.

Eu gostava imenso do serviço, trabalhava muito. Nunca me cansava.

Fazia frequentes viagens, em todo o País, com cineastas e jornalistas estrangeiros, convidados pelo SNI para divulgar Portugal e captar turistas.

Quando chegaram as férias parti Europa fora e nunca mais me lembrei de voltar. Na Casa de Portugal na Suécia, o Diretor, César Faustino, disse-me que tinha uma mensagem urgente para regressar ao trabalho. Estava assinada pelo Engenheiro Roquete que me tinha incumbido de entregar uns livros ao César Faustino.

Contrariado voltei à Alemanha para me despedir de uma amiga. Regressei de avião.

Por volta dos Pirenéus, uma trovoada monumental desabou tão desastradamente que o avião tinha quedas de milhares de metros. O comandante do avião apelava à calma, mas muita gente chorava, gritava, vomitava. Eu abri o tabuleiro das costas do banco da frente e de braços cruzados e cabeça enfiada neles só pensava: “morres como um cão ou como um gato, não fizeste nada na vida, não deixas um único sinal. Não vales o que comes. És filho único e os teus pais ficam desolados”

As recriminações foram muitas. Quando aterrámos na Portela. O avião tinha um pivete insuportável. Apanhei rapidamente um táxi, tomei um banho bem quente, jurei evitar os aviões e publicar imediatamente um livrito de poemas, para assinalar a minha presença neste mundo de loucos.

“O Nó”, está aberto na Internet, juntamente com o “Tu cá, Tu lá; Poemas e canções de amor para ti; Há mulheres que não se esquecem” etc., para que se morresse, sem filhos, deixar uma amostra deste pó que caiu na terra.

Para minha surpresa, o Engenheiro Álvaro Roquete apareceu-me com o livro na mão. Disse-me uma série de gracejos e pediu-me que o assinasse.

Passei a amar ainda mais o comboio, mas os comboios portugueses não estão bem de saúde e as linhas já tremem. E não deviam. Consta que o pessoal dos gabinetes é muito mais do que o pessoal da via e, qualquer dia, o desastre acontece.

Aqui fica o alerta para que viajar em Portugal continue a ser um dos prazeres mais agradáveis e seguros que todos, estrangeiros e portugueses podem experimentar ainda a um preço acessível.

 

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C.S

publicado por regalias às 00:21
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