Terça-feira, 17 de Fevereiro de 2015

Das ervas dos caminhos aos sacos de plástico

A miséria que o povo sofreu na Primeira República, 1910-1926, foi de tal modo grave que a população, que tinha aumentado, voltou a diminuir devido às mortes causadas por carência alimentar.

Conheci duas pessoas quase da mesma idade, uma com 95 e outra com 96, a primeira Guarda-Fiscal e a outra, cobrador nos caminhos de ferro, que sempre que falavam da sua juventude faziam-no com dificuldade. Ambos conseguiram sobreviver. Na maior parte dos dias alimentavam-se com sopas de ervas.

O Guarda-Fiscal faleceu há dias, o outro já não o vejo há três ou quatro anos. Ambos garantiam que a sua vida mudou depois do Serviço Militar, onde todos os recrutas eram obrigados a aprender a ler, a escrever e a contar. Eles nunca se tinham sentido tão bem. Tinham comer a horas e aprenderam como saber organizar a vida.

Escusado será dizer que, tanto um como outro eram capazes de dar a vida por Salazar a quem apontavam o que tudo de bom lhes tinha acontecido.

Eu, apesar de ser uns anos mais novo que eles, também me lembro bem dos anos difíceis e complicados da Segunda Guerra Mundial que devido a ajuda a Espanha e a grande quantidade de judeus, fugidos da guerra, que Portugal recebia quase diariamente e outros que pelas mais diversas razões para aqui eram encaminhados, toda a população, pobres e ricos, tinham de receber senhas de racionamento para que tudo fosse repartido de igual forma.

Qualquer tentativa de açambarcamento era punida, da primeira vez com multa e da segunda com prisão.

Um País que tinha saído totalmente exaurido da Primeira República em 1926 e que até 1928 a Ditadura Militar não tinha conseguido alimentar, só a partir de 1929, já com Salazar há um ano como ministro das finanças ele consegue resolver a situação, mas ainda com muitas carências.

Quando em 1936 tudo se encaminhava para uma melhoria significativa da vida, rebentou a Guerra Civil de Espanha e a seguir a Segunda Guerra Mundial que obrigou toda a gente a evitar despesas e, por isso, a frase que durante anos ouvi: “produzir e poupar manda Salazar”. Todos seguiam à risca a ideia. Pessoas riquíssimas poupavam como os mais pobres. Toda a gente evitava ofender os que tinham menos.

Quando hoje, depois dos biliões que os governantes receberam e os delapidaram com toda a inconsciência dos imbecis e agora se pretende com os sacos dos supermercados arrecadar uns milhões, só o povo vai aprender a poupar não os comprando. A chularia político-capitalista, feita de compadrios e corrupções, continuará a gastar o muito dinheiro que receberam neste inferno de desespero e maldição, que revive a Primeira República, em que à matilha governamental nunca faltou nada.

C.S

publicado por regalias às 07:34
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