Sexta-feira, 14 de Dezembro de 2018

Enfermeiros e médicos grevistas, atenção ao exagero

Quando ontem ouvi dois homens a discutir acaloradamente e vi outros a meterem-se de permeio percebi que o assunto era sério.

Um deles contou-me que tudo tinha sido motivado pelas greves dos enfermeiros.

Um é pai de um enfermeiro em greve e outro tem uma filha hospitalizada.

Tendo-se encontrado por acaso, o que tem a filha no hospital dirigiu-se ao outro de quem era amigo e disse-lhe irado: “avisa o teu filho que se minha filha morrer, que eu vou procurá-lo, a ele e ao médico, e faço-lhes o mesmo”.

O outro respondeu-lhe: “és doido, estamos em democracia”

- “Ah, sou doido. Estamos em democracia? É permitido deixar morrer? Então também é permitido matar.”

O outro ia-se embora, mas ele agarrou-lhe um braço e continuou: “nós somos amigos e éramos camaradas, por isso te digo para avisares o teu filho. Eu cag. na democracia! Já deito Democracia pelos cabelos!”

“A discussão começou por aí e agora foi cada um para seu lado. Isto é uma chatice. Éramos todos amigos e camaradas, agora está cada um para seu lado. Já ninguém se entende.”

Hoje resolvi, mais uma vez insistir no assunto das greves. É fundamental o Governo ter serenidade e pulso.

Foram as greves que destruíram a Primeira República que, democraticamente, prendeu e exilou milhares de contestatários. Mesmo assim terminou às mãos da Ditadura Militar em 1926.

Como a rede de estradas, praticamente não existia, os assaltos naqueles caminhos lamacentos no Inverno e esburacados no Verão eram o pão nosso de cada dia. O transporte era assegurado pelo Caminho-de-Ferro.

As greves nos Caminhos-de-Ferro prejudicavam todas as pessoas.

O Partido Democrata resolveu a situação agarrando nos maquinistas e metendo-os à frente da máquina com soldados de espingarda aperrada para não haver qualquer deserção se alguém provocasse algum descarrilamento. Eles assim sabiam a sorte que os esperava.

A situação chegou ao extremo, mas a Primeira República nem com esta medida se salvou. A doença era fatal, vinha desde 1911.

Para obviar à falta dos grevistas foi criado o Batalhão dos Sapadores dos Caminhos-de-ferro, constituído por 1248 praças e 40 oficiais que além da administração das linhas, tinha a seu cargo a construção e reparação de pontes e reparação e levantamento de linhas.

Esta chamada de atenção é, para, mais uma vez, alertar para o perigo que os grevistas correm, mesmo em democracia.

A paciência do ser humano não é ilimitada. Com democracia ou sem democracia, as desgraças acontecem. Quem não entender os avisos, depois não se queixe do que lhe possa acontecer.

 

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C.S

publicado por regalias às 05:57
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