Sábado, 20 de Fevereiro de 2016

História de graça e de trabalho

Antes do 25 de Abril a maioria dos portugueses eram viciados no trabalho.

Salazar, apoiado em gente inteligente e ávida de tirar o País do marasmo e da miséria onde a Primeira República o tinha afundado teve uma plêiade de ministros e de secretários que nunca regatearam esforços.

Duarte Pacheco e António Ferro ultrapassaram em trabalho e imaginação todas as metas.

António Ferro, além de todas as extraordinárias iniciativas levadas a cabo, conseguiu, com os poucos meios que existiam na altura, mostrar ao povo, através de filmes e dos jornais, todas as obras que o Estado Novo empreendia para que a felicidade regressasse aos portugueses.

Também sucumbi ao trabalho. E no momento de aflição que atravessamos não resisto também a contar uma história de graça.

Tinha entrado de férias grandes. Minha mulher decidiu passá-las no Algarve, mas aproveitou o trajeto para ficar dois dias com a mãe em Lisboa. Minha sogra era adorável e os meus sete cunhados, impecáveis.

Eu gostava de estar com eles, mas passaram oito dias e não seguíamos viagem. Depois de almoço sentei-me a ler o Diário de Notícias. Quando minha mulher passou perto perguntei-lhe: quando saíamos? Ela olhou para mim e respondeu “Estás sempre com pressa. Temos tempo.”

Calei-me. Com mulheres nunca se discute. Continuei a ler o DN e vi um anúncio da Agência de viagens Rodarte. Pedia um guia turístico. Levantei-me, fui até à Rua da Palma. Perguntei pelo gerente. Disse ao que ia.

Fui enviado para o patrão, o Sr. Quirino, homem bem-disposto.

Perguntou-me se eu conhecia bem Portugal. Respondi: como a palma das minhas mãos. “E a Europa?”. Conheço-a quase toda. “Fala línguas?” Inglês, Francês, Alemão. “Chega. Quanto quer ganhar?” O que o senhor me quiser dar. “Quando quer começar a trabalhar?” Já.

E, nesse mesmo dia, juntei-me aos empregados de balcão para conhecer os meandros da casa. Foram dois meses de trabalho intenso que me deram muito gozo. O Senhor Quirino bem tentou que lá continuasse. Pagava-me mais de quatro vezes o que ganhava na Escola. Não aceitei.

Mas não resisto a contar uma das muitas histórias insólitas, mas engraçadas, que se passavam neste País descontraído e muito feliz.

Num dos dias em que estava ao balcão e em conversa com o Sr. Quirino e um médico, seu grande amigo, entra como um furacão uma mulher, já de certa idade e bastante avantajada. No meio do compartimento faz um xixi, monumental, seguido de um traque, quase um trovão.

Eu e o médico riamos às gargalhadas porque a mulher desfazia-se em desculpas, não saía do meio do lago e só pedia um pano e um balde.

O patrão continuava sério, e disse para a mulher: “a senhora não tem vergonha?” “Meu senhor desculpe, desculpe, eu vinha tão aflitinha” “Pedia para ir à casa de banho” - insistiu o chefe da casa.

“O mais grave, depois desse lago, foi a senhora dar um traque, que quase ia deitando o prédio abaixo”.

A simpática velhota pensa uns segundos e diz, ”eu explico, eu explico”.

“Não vejo a explicação, mas diga.”

“ Os senhores, quando vão à casa de banho e fazem xixi, logo que acabam, não dão uma abanadela?”

“Sim.”

“Nós, como não temos nada para abanar, damos uma assopradela”

 

Anterior” Europa aterrorizada fecha fronteiras”

C.S

publicado por regalias às 05:16
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