Acredito que Joacine Katar tenha ganho o lugar de Deputada sem quaisquer apoios.
Eu tenho essa experiência. Recusei até ao último dia integrar as listas de Deputados do CDS. No ano anterior tinha recusado os convites do PS, PPD e CDS. Conheço-me, sei a minha maneira de ser. Ia causar problemas.
Mas em 1976 o CDS insistiu tanto qua acabei por aceitar ir como Independente pela lista de Santarém e em segundo lugar para ter a certeza que não seria eleito. Fui na verdade em segundo lugar, mas integrado nas listas, o que foi um erro pois sempre votei ou defendi os meus pontos de vista segundo o meu conhecimento e consciência.
Passados dois dias, depois de ter dado o aval, achei que vencer uma eleição impossível de ganhar era um desafio para testar as minhas capacidades cognitivas sobre o ser humano. Resolvi esforçar-me para ganhar o lugar de Deputado.
Quando recebi os papéis de propaganda do Partido para distribuir verifiquei que a linguagem utilizada não era entendível pela população.
Tanto pensei que, sem dar cavaco ao mandatário, Dr. Baeta Neves, fiz outros papéis mais apelativos.
Como nas gráficas o preço era alto, comprei uma máquina de Stencil, a manivela, e, com linguagem clara e acessível ao povo, fiz largos milhares de papéis, que distribuí por todos os lugares do Ribatejo.
Nessa altura dava aulas de Português, Francês e Jornalismo no antigo Liceu de Tomar, depois Escola de Santa Maria do Olival.
Um aluno, o Sirgado, fã do CDS ao ir a minha casa soube do meu plano e ofereceu-se imediatamente para ajudar na impressão da papelada. Convenceu-me depois a autorizar outros colegas a trabalhar no empreendimento.
A notícia espalhou-se na Escola entre os mais politizados. Para eles eu era um anarca. Nunca acreditaram que entrasse em listas, e muito menos do CDS. Mas à vista dos papéis e da distribuição pela cidade e pelas aldeias de onde eram naturais, lá se convenceram que era verdade.
Como a minha amizade com todos alunos era grande, passados dois ou três dias apareceu-me o Coelho a perguntar se deixava o MRPP imprimir ali alguns comunicados. No dia seguinte apareceu um da UDP a pedir o mesmo e, sem dar nas vistas, CDS, MRPP e UDP imprimiram o que entenderam sem interferências na campanha de uns e outros.
Depois da primeira ideia veio outra. Se eu queria ser eleito tinha de palmilhar todo o Ribatejo, quase sempre sozinho pois havia sítios onde era perigoso entrar. Ia sempre preparado para o pior.
Quando o Dr. Baeta Neves soube ou me encontrou no Couço, já não me lembro bem, a fazer propaganda disse-me que ali não podia andar pois era zona do Canaverde, primeiro Candidato. Respondi-lhe, a rir, que andava a fazer pela vida.
Na noite das eleições, o Dr. Manuel Machado, mais os amigos, que tinham apostado em mim foram para minha casa à espera dos resultados. Às duas e meia da manhã fui-me deitar. Deixei-os entre a comida, a conversa e a esperança. Passado algum tempo acordaram-me felizes e barulhentos; tinha vencido.
A minha vida mudou para desassossego do CDS, mas sempre e intransigentemente ao serviço do Povo Português. Cheguei mesmo a votar contra todas as bancadas e a fazer fechar o Parlamento.
O Freitas faz-me um Processo disciplinar por causa de Nobre da Costa. Perdeu o processo. Esteve meses sem aparecer no Parlamento. Não fiquei feliz. O Diogo era um homem muito inteligente, mas um péssimo estratega.
A Joacine tem a força do povo. Não saia do Parlamento, não ceda a promessas e ameaças. Defenda sempre aqueles que acreditaram em si. Não os abandone. Estude bem todos os assuntos. Oiça conselhos, mas decida sempre pela sua cabeça.
O povo é a única entidade a quem tem de prestar contas.
Bom trabalho. Não tenha medo. Siga em frente.
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