Domingo, 5 de Agosto de 2018

Jogar à defesa com o tempo e com a comida dá saúde

Desde muito novo me lembro de minha mãe se preocupar com o muito frio e o muito calor, algo que só comecei a sentir, muito depois de adulto.

O corpo vem programado para saber evitar as doenças. Ele avisa. Se tivermos cuidado seguimos a indicação. Com a comida sucede o mesmo. Ele diz se é demais ou se está na conta.

As aves do céu não têm médico de família nem conta bancária. São felizes.

O meu corpo tem funcionado sempre assim. Médicos só os obrigados pelas exigências escolares.

Quanto a arranhões, pequenos ou grandes, ou borbulhas tenho ainda hoje o remédio à mão: dose de saliva, menor ou maior consoante o tamanho.

Com estas simples regras, os oitenta já passaram há uns anos.

Na Escola Primária, hoje ensino básico, o professor José Manuel Landeiro tinha sempre o hábito, antes de começar a primeira aula de dar uma olhadela às mãos e unhas de cada um, a seguir as lições vinham ligadas à vida que nos envolvia. Arranjava sempre maneira de falar sobre os campos, as pessoas de trabalho e as pessoas da vila. Amava o que fazia.

Os professores que não sabem acrescentar à disciplina que ensinam o sabor do pulsar prazenteiro e ao mesmo tempo inquietante de tudo quanto nos rodeia, dificilmente formam jovens que acrescentam valor ao trabalho e progresso para o ser humano.

Nem o fazem por mal ou falta de conhecimentos. Vivem aterrados pelas metas a cumprir em cada ano. Esquecem que o tempo é elástico.

Tive em Paris a melhor lição de como ensinar.

Trabalhava no Consulado, ainda na Avenue Kléber. O Vice-cônsul João Carvalho da Silva, um Homem interessantíssimo, tinha passado toda a segunda Grande Guerra ali, e as suas histórias eram fabulosas, perguntou-me se queria dar aulas de português a um senhor, em sua própria casa. Aceitei.

Resumindo: quando comecei a aula, passados três ou quatro minutos, ele disse-me: “desculpe, quem diz como vão decorrer as lições sou eu. E assim foi. O senhor era Professor na Sorbonne e ensinava português.

Apliquei o método em Portugal. Arranjei um sarilho com os colegas. Não verguei. Os alunos, mesmo os mais endiabrados, nunca me desiludiram. Um deles foi Secretário de Estado no Ministério dos Negócios Estrangeiros.

Esqueci-me de dizer que o ilustre Professor em Paris, quando acabava o trabalho, oferecia-me sempre uma peça de fruta, que tinha de lavar e descascar pois os adubos estavam a aparecer em força e valia mais prevenir que remediar.

 

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C.S

publicado por regalias às 08:31
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