Quarta-feira, 8 de Julho de 2015

Lágrimas magoadas e sofridas no pós-PREC

A morte de Maria Barroso trouxe-me à memória vários episódios, uns desagradáveis e outros de natural camaradagem apesar das diferentes ideologias em que cada um navegava.

Fui colega de Maria Barroso na Comissão de Educação, na primeira Assembleia Legislativa.

As conversas eram francas. Várias vezes, Maria Barroso, me disse:

- Como é que você atua, muitas vezes como um homem de esquerda e outras vezes é muito mais radical que os seus colegas de direita?

Olhava-a com simpatia:

- A única coisa que me interessa é o bem de Portugal e dos Portugueses, o resto é folclore partidário. Nesses jogos não entro. Repudio.

Numa das sessões da Comissão de Educação, Maria Barroso visivelmente congestionada, chamou-me de lado e sussurrou, de lágrimas sofridas a querem saltar-lhe dos olhos:

- Desculpe incomodá-lo, mas o jornal “Templário” insulta-me com frequência e agora atingiu o impensável, chamou-me rameira.

Pedi-lhe desculpa. Não tinha lido o artigo. Disse-lhe que ia tratar do assunto.

Eu tinha sido Diretor do Templário. Quando fui eleito para a Assembleia da República disse ao Dr. Manuel Machado, o proprietário, que queria deixar o cargo, ao que ele me respondeu que o Jornal era uma arma e por isso não aceitava o pedido de demissão. O problema é que eu sabia que isso era verdade, mas para não ter a tentação de usar o Jornal no campo político, tinha de o deixar, caso contrário não resistiria aos impulsos.

A jornalista Fernanda Leitão, escrevia muito bem. Por várias vezes mostrara interesse em dirigir o Templário, fui ter com ela e entreguei-lhe o cargo de Diretor sem avisar o Manuel Machado que ficou aborrecido, mas acabou por aceitar o facto que estava consumado.

A Fernanda depois da posse, e passado algum tempo, além de atacar alguns dos idiotas que puseram o país no Estado em que se encontra começou a atacar gente como o Francisco Lucas Pires, que além de ser meu amigo era um homem honesto e inteligentíssimo.

Avisei a Fernanda que estava a meter-se em caminhos errados. Ela fez pior. Os ataques tornaram-se mais virulentos.

Quando a Dra. Maria Barroso me contou o que se estava a passar, falei outra vez com a Fernanda Leitão. Agravou os ataques. Virou a arma contra quem lha tinha oferecido. Foi bastante desagradável. Nesse momento, e apesar do respeito e admiração que tenho por todas as mulheres, escrevi um artigo de tal maneira violento no semanário “A Província” contra a Fernanda que por vergonha acabou por deixar Portugal e ir viver para o Canadá.

Tenho pena de assim ter procedido. Gostava da Fernanda como amigo e admirava-a pela facilidade como dedilha os textos. Mas há limites para tudo. A Fernanda Leitão ultrapassou-os.

C.S

publicado por regalias às 05:24
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1 comentário:
De J. Manuel Cordeiro a 17 de Janeiro de 2017 às 01:29
Seria possível partilhar o artigo que refere (semanário “A Província”)? Obrigado.


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