Quarta-feira, 23 de Dezembro de 2015

No sexo, o humano é tão irracional como os irracionais

Quando li que, na Holanda, as lições de condução podem ser trocadas por sexo não me escandalizou a transação, aquilo que verdadeiramente me incomoda é a publicidade.

O ser humano é pior que os irracionais quando está com o cio, e o homem até aos 65 anos está constantemente. Só a partir dos oitenta é que o animal acalma e tenta compreender por que procede assim.

A explicação é simples: a Natureza precisa de mão-de-obra e o homem cega por sexo.

Ao ler no jornal i os votos impulsionados pela beleza dos candidatos, nem me custa acreditar que seja assim. O ser humano irracional funciona por impulsos e os do sexo são irresistíveis. Basta recordar o ex-Presidente do FMI e candidato pelo Partido socialista à Presidência do Eliseu, Straus Khan, que deita tudo a perder por uma escapadela com uma criada de quarto…ou o rei Jorge VI que troca o trono Inglês por Wallis Simpson.

Podia relatar centenas de casos em que o culpado é o sexo.

No Estado Novo, muitos criticaram a censura depois do 25 de Abril. A censura era mais virada para os jornais, de modo a não influenciar negativamente a sociedade e principalmente os menos cultos. As fofoquices sexuais levavam com lápis azul.

Os livros só eram censurados quando muito publicitados pelos editores, de maneira que alguns exemplares fossem apreendidos, para depois serem vendidos aos milhares.

No entanto, no Estado Novo e em todas as nações, desde sempre as relações sexuais foram tabu e de foro privado. Quando conhecidas eram reprovadas e sujeitas a graves consequências como as de Ana Plácido e Camilo Castelo Branco ou as de Bill Clinton e Mónica Lewinsky.

Mas compreendo-as perfeitamente, porque foram realizadas com a anuência dos parceiros.

Digo isto conhecendo o ser humano e os seus apetites por experiência.

Num dos livros, que escrevi há muitos anos, dava conta de como uma professora se satisfazia comigo quando eu tinha onze anos. Essa experiência transformou-me num sonhador de apetites. O sexo feminino povoou os meus sonhos, os meus atos e os meus escritos.

Noutro livro conto como, num desses países mais livres, numa viagem de comboio, encontro uma jovem e acabei por ter uma relação sexual de tremer desde as unhas dos pés até à raiz dos cabelos. Quando a fui levar à estação para continuar a viagem, ela, de olhos brilhantes e gulosos, diz-me: “vai visitar-me, passa uns dias em minha casa”. Ainda a minha luxúria não tinha levantado cabeça, quando ela, naturalmente me sufoca. “Agora vou contar o que aconteceu ao meu marido e ele vai ficar felicíssimo.”

Nem a senti entrar no comboio. Nunca mais a vi, mas também nunca mais a esqueci. Foi demasiado belo para a partilhar com espectadores.

Há modernices democráticas que deviam ser sagradas; tanto na Holanda, na Alemanha como em qualquer país do mundo, para, quando este berço de loucos acabar, a felicidade, o prazer e o sonho partirem connosco.

 

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C.S

publicado por regalias às 06:15
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