Quarta-feira, 28 de Maio de 2014

O 28 de Maio e a Ditadura Militar

Depois de fracassado em Julho de 1925 um golpe militar, passado um ano, devido à miséria em que o povo vivia e à insistência de quase todos os sectores da população de que o regime devia mudar em virtude do desequilíbrio financeiro ser uma verdadeira catástrofe: agitação social diária, com muitos mortos, e o Partido Democrático acusado de todos os males, era necessário às Forças Armadas tomarem uma atitude e fizeram o 28 de Maio.

O General Gomes da Costa aceitou encabeçar o movimento depois da garantia de Mendes Cabeçadas que o apoiaria em Lisboa.

Pelo sim, pelo não, Gomes da Costa foi para longe gritar que ia fazer um Golpe de Estado e à distância verificar as consequências do Golpe, caso falhasse.

Às unidades militares envia-lhes o apelo: “Os homens de valor, de coragem e de dignidade que venham ter comigo, com as armas na mão se quiserem comigo vencer ou morrer”

À pequena guarnição de Braga, aderiram as guarnições de Vila Real, Coimbra, Penafiel, Figueira, Leiria, Setúbal, Santarém, Faro e Lagos.

O Governo, cujo Primeiro-Ministro era o António Maria da Silva, pediu a demissão ao Presidente da República, Bernardino Machado, que habituado à barulheira em casa, tinha muitos filhos, e aos gritos das ruas, aquilo era mais um episódio que ele resolveria.

Mendes Cabeçadas não foi na conversa do simpático Bernardino, garantiu que o Golpe era para ir por diante e mostrou-lhe o programa:

“Publicação de uma nova Constituição; manutenção do regime republicano; reorganização dos serviços públicos; lei de responsabilidade civil para os agentes do Estado; redução das despesas públicas; regularização das contas públicas; simplificação do sistema tributário; desenvolvimento da riqueza nacional; reforma e sistematização dos métodos de ensino e educação; organização de uma justiça independente, com processos rápidos e eficazes; reorganização dos serviços; coordenação dos planos de fomento colonial; reorganização militar e naval e aquisição de material de guerra atualizado; garantia dos direitos de vida, propriedade e bom nome dos cidadãos.”

Bernardino Machado não teve outro remédio senão ceder.

O Comandante-de-mar-e-guerra, Mendes Cabeçadas assume as funções de Chefe de Governo e de Presidente da República.

Gomes da Costa, sempre cauteloso, que o seguro morreu de velho, vem por aí abaixo, pára no Entroncamento e acampa em Sacavém onde Mendes Cabeçadas o vai encontrar.

Mas tanto o Mendes como o Gomes da Costa tinham um feitio agreste. Discutiam e discutiam e nunca chegavam a acordo. Resultado: logo em 18 de Junho, Mendes Cabeçadas foi afastado do Governo e em 9 de Julho a Gomes da Costa aconteceu-lhe o mesmo. Foi exilado para os Açores como castigo por querer impor as suas ideias, que nem sempre eram as melhores. Ele não se importou. Passados poucos meses regressou ao continente, foi promovido a marechal e desligou-se da política.

Sucedeu-lhe o General Óscar Fragoso Carmona que governou em Ditadura até que os ânimos dos militares e dos políticos, habituados às regalias do poder, se acalmassem. Veremos que não é fácil. O cheiro do poder, mesmo num país atolado em miséria e morte é sempre uma tentação para políticos sem escrúpulos.

C.S

publicado por regalias às 05:53
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