Quinta-feira, 19 de Janeiro de 2017

O frio em Portugal é calor na Ucrânia

Iuri era um Ucraniano que viveu em Portugal doze ou treze anos.

Trabalhador extraordinário, como a maioria das pessoas daquele país, cujas dificuldades, depois de se terem separado da Rússia os fizeram procurar outros países para trabalhar e refazer a vida.

Um dia encontrei Iuri numa das portas da Estação de Santa Apolónia a preparar uns cobertores para passar a noite.

Eu que o conhecia bem fiquei admirado pela situação. Quando lhe falei reconheceu-me imediatamente.

Perguntei-lhe se precisava ajuda. Disse-me que não. Embora alcoolizado aguentava-se na conversa. O raciocínio era perfeito e passados alguns minutos, os vapores etílicos pareciam ter passado.

Aceitou ir tomar qualquer coisa a um dos restaurantes da zona.

Perguntei-lhe porque tinha deixado o trabalho em Tomar. Disse-me que já tinha enviado para a Ucrânia o que a família necessitava e resolveu ir para Lisboa apesar do patrão insistir para ficar e até o querer aumentar.

Mas Iuri estava decidido a conhecer a capital.

Depois, com um português quase perfeito, disse-me com toda a franqueza: “amigo, isto não é um país de trabalho, é um país de sonho, de prazer. De trabalho não é. Em Tomar, apesar do patrão gostar do meu trabalho, eu trabalhava duas vezes menos que na Ucrânia e ganhava muito mais que no meu país. Resolvi conhecer Lisboa e depois de me meter com outros amigos ucranianos resolvi, antes de regressar ao meu país, não fazer mais nada.”

- E como sobrevives?

“Os portugueses são o povo mais solidário do mundo. Fiz-me sem abrigo. Os dias e as noites passam-se bem. Trazem-nos comida e mantas. Que queremos mais? Quando quero dinheiro, os outros colegas da Ucrânia sabem onde há trabalho. Mais: muitas vezes, à noite há gente que me atira umas moedas para a cama improvisada. Se não tivesse mulher e um filho ficava aqui toda a vida. Isto não é um país de trabalho. É de prazer.”

Iuri regressou à Ucrânia. Nunca mais soube dele. Oxalá que a Ucrânia e a Rússia compreendam que unidos têm povos inteligentes e trabalhadores que fazem as nações grandes e felizes.

O frio de Portugal não é só calor na Ucrânia, é calor em todos os países do centro e Norte da Europa. Os Governantes que não entenderem o que isto significa, não entendem nada de política porque aquilo que ganham lhes faz esquecer o que falta ao povo.

O egoísmo de uns é a fraqueza dos outros.

Para tapar o Sol com a peneira dão cobertores e refeições em vez de trabalho e um salário compatível com a dignidade do ser humano.

 

Anterior “Portugal tornou-se o paraíso dos Chicos espertos”

C.S

publicado por regalias às 06:12
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