Quarta-feira, 1 de Julho de 2020

Os que ficam para além da morte, António Ferro

Ao recordar António Ferro e ao compará-lo a indivíduos também excecionalmente inteligentes, que conheci e com quem lidei depois do 25 de Abril, através da Assembleia da República, verifico, com tristeza como estes não aproveitaram as suas capacidades em favor de Portugal. Pelo contrário, preocuparam-se com os seus interesses, juntaram-se aos canalhas que invadiram Portugal a seguir ao Golpe do 25 de Abril e, tal como este vírus, contaminaram um País próspero que em poucos meses transformaram-no na mentira do progresso para as suas carteiras recheadas com dívidas contraídas no estrangeiro e que foram sempre divididas com uma proporção de dez para um. Ou seja, enquanto os seus salários rondam os cinco mil, o trabalhador não passa dos quinhentos e poucos euros.

Conheci muitos. E pensava como era possível proceder assim, se o povo português começava a passar mal.

António Ferro fica a longa distância desta infâmia de infra-humanos que morrerão de barriga cheia ao esvaziarem o país que elogiam pela democracia de fancaria e liberdade de enchimento e tentativa de entorpecimento da consciência nacional.

Quando trabalhei no SNI, Secretariado Nacional da Informação, o Diretor do Turismo, saudoso Engenheiro Álvaro Roquette, ao passar por volta da meia noite junto do palácio Foz, ao ver uma luz acesa onde era a minha secção, parou o carro e foi ver o que se passava. Encontrou-me enfronhado nos trabalhos de António Ferro. Na altura estava com a revista Panorama que ele tinha fundado.

Nem dei pela entrada do Engenheiro Álvaro Roquette que me disse: “Tu nunca te cansas? Olha que o Ferro não passou dos 61. Vai descansar.”

Salazar teve em António Ferro o Homem que o convenceu a fazer propaganda do seu trabalho para arrastar todo o povo. Salazar pensou nas suas palavras e entregou-lhe o cargo.

António Ferro que era jornalista, escritor e amante do trabalho e de Portugal lançou-se na tarefa de divulgação utilizando todos os meios para alegrar o povo que tinha deixado de acreditar nos políticos e trabalhava contrariado. A mudança a partir de 1932 foi radical. Salazar acreditou no jovem António Ferro. Ele que só pensava em poupar, para ninguém passar fome e abrir estradas, hospitais, escolas e pontes passou a apostar também numa política do Espírito, de cultura e lazer.

Pelo país aparecem as bibliotecas ambulantes, os cinemas ao ar livre e até o fabuloso Bailado Verde-Gaio, se deslocava a todo o lado, sempre que era solicitado.

Em 1940, António Ferro é Secretário-Geral da Exposição do Mundo Português, Junta-lhe os nomes mais importantes das letras e das artes desde Júlio Dantas a Almada Negreiros. Todos trabalham com afã e sem as tricas e os interesses comezinhos que tiram valor a tudo por incapazes que estão sempre descontentes porque fariam melhor, sem nunca fazer mais nada do que intrigar, atrasar e sujar o trabalho de quem luta pelo bem de Portugal e dos Portugueses.

António Ferro desempenhou todos os cargos para que era solicitado sempre com uma perfeição inexcedível. Funda o Museu de Arte Popular. É Presidente da Emissora Nacional, um verdadeiro exemplo de como fazer rádio, onde tudo era difícil pois não existiam as possibilidades dos dias de hoje.

António Ferro termina a vida em 1956, quando ainda era Ministro Plenipotenciário em Roma.

Salazar perdeu um grande amigo e Portugal um Homem que continua a ser um exemplo para as novas gerações, embora os bastardos que conspurcam este país de inchados vírus, continuem a esconder e a difamar todos aqueles que amam verdadeiramente Portugal.

 

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C.S

publicado por regalias às 06:16
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