Terça-feira, 24 de Janeiro de 2017

Pedro I e Marcelo II iguais nos afetos e na vontade

Pedro I governou Portugal durante dez anos, 1357 a 1367.

Desde a fundação do reino em 1140, Portugal nunca tinha conhecido um tempo de paz e prosperidade como durante este período. Pedro I percorria constantemente o País auscultando o povo, sabendo das suas carências, fazendo justiça e resolvendo os seus problemas.

Ele foi o iniciador das Presidências abertas.

Nos locais mais complicados, fixava residência, o tempo que fosse necessário e despachava os assuntos do Estado.

A sua bonomia e firmeza são lendárias. Tendo sucedido ao pai, Afonso IV, em cujo reinado foi morta a mulher amada, Inês de Castro, este homem bom e de afetos não descansou enquanto não apanhou os assassinos, Pêro Coelho e Álvaro Gonçalves a quem arrancou o coração pelo peito ao primeiro; e pelas costas ao segundo. Diogo Lopes Pacheco escapou e ainda há descendência dele na política atual.

Mas também ao seu maior amigo, um escudeiro que tinha assassinado um judeu, com lágrimas a caírem-lhe abundantemente, o fez matar, não cedendo aos pedidos de clemência que lhe chegavam de todos os lados.

Pedro I foi por esse motivo apelidado pelos mais abastados de Cruel, e pelo povo de Justiceiro.

A Igreja detestava-o. O Papa era uma entidade poderosíssima, a que todos os reis obedeciam. D. Pedro não lhe deu confiança e decretou, através do Beneplácito Régio, que nenhum documento emanado da Cúria Romana tinha qualquer validade sem a aprovação do rei.

Os cofres do Estado encheram-se apesar da Peste Negra ter assolado Portugal. Como não houve guerras, nem exércitos, nem distúrbios que sorvessem os dinheiros públicos, quando morreu os cofres estavam cheios. O povo nunca mais o esqueceu. Repousa frente a Inês, no Mosteiro de Alcobaça, em dois dos mais belos túmulos do mundo.

Lembrei-me de comparar Pedro I a Marcelo II. Digo segundo para o distinguir de Marcello I que facilitou o Golpe do 25 de Abril, julgando que Spínola e Costa Gomes conseguiriam descolonizar sem que os descolonizados e os portugueses, que viviam nas colónias, não sofressem, os primeiros, as guerras civis que mataram mais de quatro milhões de indígenas e os portugueses saíssem de lá sem serem ressarcidos pelos países fabulosos que deixaram, fruto do seu trabalho e dos seus afetos.

Marcelo I pode ser o Homem que Portugal necessita. Tem vontade, é inteligente, mas o país contínua de rastos.

Nada é impossível. Nem é necessário fazer sangue. É preciso ser firme; ponderar todos os assuntos, incitar ao trabalho e lutar na Europa a 27 por um Portugal de afetos naturais, sol, sonhos, calor e mar que funcionará como um local de paz, segurança e férias para todos os europeus.

 

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C.S

publicado por regalias às 06:41
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